O cenário geopolítico global atingiu um novo pico de tensão nesta terça-feira, 17 de fevereiro, com a retomada das negociações nucleares entre Estados Unidos e Irã em Genebra, na Suíça. Enquanto enviados diplomáticos tentam destravar um acordo, o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, respondeu de forma agressiva à retórica do presidente Donald Trump. Em um discurso carregado de ironia, Khamenei afirmou que o governo americano não conseguirá derrubar a República Islâmica e sugeriu que o Irã possui tecnologia capaz de neutralizar o poderio naval dos EUA no Oriente Médio.
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A declaração ocorre em um momento em que Washington reforçou sua presença militar na região com o envio de um porta-aviões, ao mesmo tempo em que Trump defende publicamente uma mudança de regime em Teerã. O líder iraniano minimizou a força do exército americano, alertando que até as forças mais poderosas podem sofrer golpes irreversíveis. Sem citar Washington diretamente, ele foi enfático ao declarar que mais perigosa que um porta-aviões é a arma capaz de enviá-lo ao fundo do mar, elevando o tom das ameaças militares diretas.
Impasse nas negociações e soberania nuclear
As conversas na Suíça enfrentam obstáculos severos quanto às pré-condições estabelecidas. Khamenei classificou como tola a estratégia americana de determinar o desfecho das negociações antes mesmo de seu início. Segundo ele, os EUA tentam impor a renúncia total do Irã à energia nuclear como ponto de partida, o que Teerã considera inaceitável. O governo iraniano mantém a posição de que seu programa tem fins exclusivamente pacíficos e acusa os Estados Unidos de tentarem dominar a soberania da nação sob o pretexto de segurança global.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, afirmou em Genebra que possui ideias concretas para um acordo justo, mas ressaltou que o país não aceitará a submissão diante de ameaças. Por outro lado, o governo Trump exige concessões amplas que incluem restrições aos mísseis balísticos e ao apoio iraniano a grupos aliados no Oriente Médio. O encontro com o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, é visto como uma tentativa de manter um canal técnico aberto em meio ao bombardeio de declarações hostis entre os líderes das duas nações.
O papel de Trump e o futuro do acordo
O governo americano utiliza uma estratégia de pressão máxima, combinando sanções econômicas, reforço militar e apoio a manifestações antigoverno dentro do Irã. Trump acredita que uma mudança de poder em Teerã seria a solução definitiva para a estabilidade regional. No entanto, essa postura tem unido as lideranças iranianas em torno de um discurso de resistência nacionalista. O desfecho desta nova rodada de conversas na Suíça definirá se haverá espaço para a diplomacia ou se o conflito escalará para uma zona de confronto direto imprevisível.
Especialistas acreditam que o Irã está testando os limites da retórica de Trump para ganhar poder de barganha na mesa de negociações. Ao mesmo tempo, a presença do porta-aviões americano serve como um lembrete físico da capacidade de intervenção de Washington. Com o mundo observando atentamente, a rodada de Genebra representa a última chance de evitar uma ruptura total que poderia desestabilizar ainda mais o fornecimento global de energia e a segurança em todo o Golfo Pérsico.
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