Nesta terça-feira, 17 de fevereiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia uma agenda internacional estratégica rumo à Ásia, com a primeira parada na Índia. O objetivo central da missão é o fortalecimento da cooperação bilateral em setores que definem a nova economia global: a tecnologia de ponta e os estratégicos minerais críticos. A viagem ocorre logo após o feriado de Carnaval e marca o início de um giro que também incluirá a Coreia do Sul, reforçando a busca do Brasil por parcerias sólidas entre nações emergentes para enfrentar desafios de governança e desenvolvimento industrial.
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Um dos pontos altos da agenda é a participação de Lula na Cúpula Sobre o Impacto da Inteligência Artificial. O evento dá continuidade a debates globais iniciados no Reino Unido e foca na criação de marcos regulatórios para a IA, um tema que o governo brasileiro considera urgente. Lula tem manifestado preocupação com o uso de deepfakes e os riscos de vieses discriminatórios em algoritmos, buscando, junto à liderança indiana, formular políticas que promovam uma inovação responsável, ética e transparente em ambos os países, que já avançam significativamente na digitalização de serviços públicos.
Aliança estratégica para minerais críticos
O grande diferencial desta visita de Estado é a assinatura de um memorando de entendimento sobre minerais críticos. O Brasil, detentor da segunda maior reserva mundial de terras raras e rico em depósitos de lítio e nióbio, busca parceiros para explorar essas riquezas de forma mais eficaz. O acordo com a Índia visa o compartilhamento de experiências técnicas e o alinhamento de posições em fóruns internacionais. A estratégia brasileira, no entanto, é de cautela: o governo evita garantir exclusividade a qualquer nação, preservando sua autonomia para dialogar com todos os mercados interessados.
Para consolidar essa liderança, o Palácio do Planalto analisa a criação do Conselho de Minerais Críticos. Este novo órgão terá a missão de articular as políticas mineral, industrial e comercial, posicionando o Brasil de forma proativa em um cenário onde a China ainda domina o processamento dessas matérias-primas. A intenção é reduzir a dependência tecnológica externa e avançar na capacidade própria de beneficiamento, agregando valor à produção nacional e fortalecendo a segurança das cadeias de suprimentos tecnológicas globais.
Expansão comercial e atuação nos Brics
Além das pautas tecnológicas, a viagem marca a abertura de um novo escritório da Apex-Brasil na Índia, um movimento que atende a uma demanda crescente de empresários brasileiros interessados no vasto mercado indiano. A expansão da presença comercial é vista como fundamental para equilibrar a balança comercial e diversificar as exportações brasileiras para além das commodities tradicionais. A visita também servirá para alinhar as estratégias de atuação dentro do bloco dos Brics, onde Brasil e Índia buscam maior protagonismo nas decisões que afetam o sul global.
A convergência entre as duas nações se dá pela semelhança de seus desafios: grandes populações e a necessidade de crescimento sustentável. Ao final da agenda em solo indiano, a comitiva brasileira seguirá para a Coreia do Sul, onde o foco será voltado para a indústria automobilística e semicondutores. Com essa sequência de compromissos, o Brasil busca não apenas vender matéria-prima, mas integrar-se de forma inteligente às cadeias de valor mais sofisticadas do mundo, garantindo que suas riquezas naturais, como o nióbio e o lítio, sirvam de alavanca para o desenvolvimento social e tecnológico interno.
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