O Congresso do Peru aprovou, nesta quinta-feira (17), a destituição do presidente interino José Jeri. Com a decisão, o país se prepara para empossar seu oitavo chefe de Estado em apenas uma década, consolidando um período de profunda instabilidade institucional. A vacância foi anunciada oficialmente pelo chefe interino do Legislativo, Fernando Rospigliosi, após uma sessão extraordinária em Lima.
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Acusações de corrupção e tráfico de influência
José Jeri, de 39 anos, estava no cargo desde outubro de 2024, quando substituiu Dina Boluarte — também destituída por impeachment. A queda de Jeri foi precipitada por denúncias reveladas pelo programa investigativo Cuarto Poder.
O ex-presidente é acusado de praticar “patrocínio ilegal de interesses” e tráfico de influência. As investigações apontam para encontros clandestinos com empresários chineses e visitas noturnas ao Palácio do Governo que resultaram em contratos públicos. Além disso, Jeri é suspeito de realizar a contratação irregular de pelo menos nove mulheres para cargos no gabinete presidencial e no Ministério do Meio Ambiente.
O processo de sucessão e o cenário eleitoral
A saída imediata de Jeri abre caminho para uma nova eleição interna no Parlamento. Na próxima quarta-feira, os legisladores deverão escolher um novo presidente do Congresso, que assumirá a presidência interina da República até o dia 28 de julho.
Analistas políticos destacam a rapidez do processo de censura, relacionando-o à proximidade das eleições gerais, que contam com mais de 30 candidatos. Rafael López Aliaga, do partido Renovação Popular e atual líder nas pesquisas, foi uma das vozes mais ativas na defesa da destituição de Jeri.
Crise de segurança e extorsão no Peru
Além do caos político, o país enfrenta uma grave crise de segurança pública. O número de casos de extorsão saltou de cerca de 2.400 para mais de 25.000 em 2025. O crime organizado tem visado especialmente motoristas de ônibus, resultando em dezenas de mortes e paralisando setores do transporte em meio a protestos contra a violência.
Para o analista Augusto Alvarez, a busca por um sucessor legítimo será complexa, dado o cenário de “fortes suspeitas de corrupção generalizada” que atinge o atual Congresso peruano.
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