A convocação de um novo protesto de direita, marcado para o dia 1º de março, trouxe à tona divergências estratégicas e disputas de protagonismo dentro do bolsonarismo. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL) lançou o ato sob o lema “Fora, Lula, Moraes e Toffoli”, mas encontrou resistência em uma ala do grupo que considera um erro priorizar agora o impeachment do ministro Dias Toffoli. Para esse segmento, o foco absoluto das manifestações deveria ser a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e a liberdade do ex-presidente Jair Bolsonaro.
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A tensão reflete um incômodo crescente de aliados de Bolsonaro com o que chamam de “alpinismo político” de Nikolas. Críticos afirmam que o deputado tenta se descolar da imagem do ex-presidente para investir em seu próprio crescimento, enquanto defensores de Nikolas classificam as queixas como disputa por alcance e engajamento nas redes sociais. A divergência ganhou corpo após o deputado Gil Diniz (PL) e outros nomes ligados à família Bolsonaro, como Mário Frias e Mello Araújo, passarem a convocar o ato focando exclusivamente na anistia e na liberdade de Bolsonaro, omitindo a pauta contra Toffoli.
O dilema do impeachment e a sucessão no STF
Um dos principais argumentos da ala que evita o pedido de “Fora, Toffoli” é puramente estratégico e institucional. Interlocutores do grupo sustentam que um impeachment a menos de um ano das eleições presidenciais de 2026 poderia beneficiar diretamente o presidente Lula. Caso uma vaga seja aberta no STF agora, Lula teria a prerrogativa de indicar um novo ministro, possivelmente nomes como Rodrigo Pacheco ou Jorge Messias, o que não interessa à oposição.
Nikolas reagiu às críticas questionando a coerência dos aliados: “Se impeachment de ministros não é válido agora, por que estão há 3 anos pedindo o do Moraes?”. Ele sustenta que o ato também visa derrubar o veto da dosimetria, que considera a medida mais efetiva para libertar os presos do 8 de janeiro. Por outro lado, Gil Diniz rebateu afirmando que a prioridade deve ser tirar as pessoas das “masmorras” e não apenas buscar o “hype” do algoritmo.
Divisões na família Bolsonaro e o papel de Michelle
O racha também evidencia nuances dentro da própria família Bolsonaro. Enquanto o deputado Eduardo Bolsonaro já criticou Nikolas publicamente e se alinha à ala que prioriza a anistia, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro demonstra forte apoio ao parlamentar mineiro. No fim de janeiro, Michelle chegou a chamar Nikolas de “06”, tratando-o simbolicamente como mais um filho do ex-presidente.
Apesar dos atritos, há tentativas de distensão. O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, chegou a cogitar uma aliança com Nikolas para o Governo de Minas Gerais, embora o deputado reafirme sua intenção de disputar a reeleição. Enquanto o dia 1º de março não chega, o bolsonarismo tenta equilibrar suas diferentes correntes para evitar que o racha enfraqueça a mobilização na Avenida Paulista, em um momento em que a unidade é vista como fundamental para a sobrevivência política do grupo e para a viabilização da candidatura de Flávio.
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