O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve se reunir com o líder francês, Emmanuel Macron, nesta quinta-feira (19), em Nova Délhi, na Índia. O encontro bilateral, solicitado formalmente pela França, ocorrerá paralelamente à cúpula sobre inteligência artificial. Embora a reunião conste na agenda provisória, o governo brasileiro mantém a cautela característica de eventos multilaterais, onde atrasos e imprevistos podem alterar o cronograma dos chefes de Estado de última hora.
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Divergências sobre o acordo Mercosul-União Europeia
Apesar da excelente relação pessoal entre os dois líderes, o encontro deve abordar temas complexos. O principal ponto de discórdia é o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. Enquanto Lula empenhou esforços diplomáticos significativos ao longo do último ano pela aprovação do tratado, Macron permanece firme na defesa de uma renegociação, posicionando-se contra os termos atuais do texto.
O polêmico “Conselho da Paz” de Donald Trump
A pauta global também ganha destaque com a proposta do presidente norte-americano, Donald Trump, de transformar o Conselho da Paz em um órgão permanente. Originalmente focado na reconstrução da Faixa de Gaza por um período de dois anos, Trump deseja que o colegiado atue na resolução de conflitos mundiais.
Lula e Macron compartilham o temor de que essa iniciativa esvazie o poder da ONU e de outros organismos internacionais. O presidente francês já confirmou que não integrará o conselho, alegando conflito de interesses com as funções do Conselho de Segurança da ONU. Lula, por sua vez, mantém reservas e ainda não oficializou sua posição sobre o convite.
Reforma da governança e outras agendas bilaterais
Além do embate sobre o comércio e a segurança internacional, ambos concordam com a necessidade urgente de reformar o sistema de governança global e fortalecer o multilateralismo. A passagem de Lula pela Índia também despertou o interesse de outros líderes europeus; os presidentes da Eslováquia, Peter Pellegrini, e da Sérvia, Aleksandar Vučić, também solicitaram audiências bilaterais com o brasileiro.
As discussões sobre inteligência artificial e o futuro das instituições globais colocam o Brasil e a França como peças centrais no xadrez diplomático desta semana em Nova Délhi.
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