O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, compareceu ao Tribunal de Los Angeles nesta quarta-feira (18) para prestar depoimento em um júri popular inédito. O processo busca determinar se gigantes da tecnologia, como Meta e Google, são responsáveis pelo desenvolvimento de vício em redes sociais em crianças e adolescentes. O julgamento, que conta com 12 jurados, tem previsão de encerramento para o final de março e pode resultar em indenizações bilionárias.
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As empresas são acusadas de projetar deliberadamente algoritmos e produtos viciantes para maximizar lucros. Embora o TikTok e o Snapchat também fizessem parte da ação inicialmente, ambas as plataformas optaram por fechar acordos confidenciais antes do início das sessões no tribunal.
O caso que mobiliza centenas de famílias
A ação principal foi movida por uma jovem de 20 anos, identificada como Kaley (K.G.M.). Ela relata que o uso precoce das plataformas, iniciado aos 6 anos, e a exposição a filtros e conteúdos prejudiciais contribuíram para um quadro grave de depressão, ansiedade e distorção de autoimagem.
Entretanto, o impacto da decisão vai muito além de um caso individual. Cerca de 800 processos semelhantes foram reunidos sob a representação de Kaley. Segundo especialistas em Direito da Tecnologia, o veredito deste caso será vinculante para todas as outras demandas agrupadas, servindo como um divisor de águas para a responsabilidade jurídica das Big Techs.
Defesa das empresas e o cenário global
A Meta fundamenta sua defesa em estudos que, segundo a companhia, não comprovam a alteração da saúde mental de jovens pelo uso das redes. Advogados da empresa argumentam que os problemas de saúde da autora têm raízes em questões familiares e que as plataformas serviram, na verdade, como espaço para expressão criativa.
Na última semana, o presidente do Instagram, Adam Mosseri, negou a existência de “dependência clínica” causada pelas redes. No entanto, o julgamento ocorre em meio a uma onda global de restrições:
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Austrália: Proibiu o acesso a redes sociais para menores de 16 anos.
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Flórida (EUA): Barrou usuários com menos de 14 anos.
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Espanha: Estuda a adoção de medidas restritivas semelhantes.
O que esperar dos próximos passos
Zuckerberg deve enfrentar questionamentos sobre documentos internos da Meta que discutem o comportamento de adolescentes nas plataformas. O desfecho deste júri é considerado um teste crucial para milhares de outras ações movidas por distritos escolares e estados americanos, que acusam as empresas de alimentar uma crise de saúde mental na juventude.
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