A campanha Março Lilás ganha um novo fôlego no Amazonas com o alerta da Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade (FUnATI) sobre a saúde feminina na maturidade. O foco central da mobilização é a prevenção do câncer do colo do útero, uma doença que, embora evitável, ainda apresenta estatísticas preocupantes para os próximos anos. A iniciativa busca desmistificar a ideia de que o cuidado ginecológico deve diminuir com o avançar da idade, reforçando que o diagnóstico precoce é a ferramenta mais eficaz para garantir a longevidade com qualidade de vida.
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Estimativas do Inca apontam 620 novos casos anuais no Amazonas
De acordo com as projeções do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o Amazonas deve registrar cerca de 620 novos casos de câncer do colo do útero para cada ano do triênio entre 2026 e 2028. Esses números colocam o estado em uma posição de vigilância constante. A FUnATI, ao aderir à campanha, direciona seus esforços para as mulheres com mais de 60 anos, público que muitas vezes se afasta dos consultórios ginecológicos por acreditar que não faz mais parte do grupo de risco.
O surgimento da doença está intrinsecamente ligado a infecções persistentes causadas por subtipos de alto risco do Papilomavírus Humano (HPV). A transmissão ocorre majoritariamente por meio do contato íntimo ou relações sexuais. Quando não identificadas e tratadas, as lesões causadas pelo vírus podem evoluir para quadros malignos, tornando o acompanhamento médico indispensável em todas as fases da vida adulta.
A necessidade do exame preventivo na terceira idade
Diferente de outras patologias oncológicas que afetam órgãos internos de difícil acesso, o câncer do colo do útero possui uma vantagem clínica estratégica: ele pode ser detectado antes mesmo de se tornar um câncer. A médica Juliana Ozores, ginecologista da Policlínica Gerontológica Darlinda Esteves Ribeiro, vinculada à FUnATI, ressalta que a periodicidade do Papanicolau deve ser mantida.
Segundo a especialista, a necessidade da coleta não termina em uma idade específica. O fator determinante é a manutenção de uma vida sexual ativa. Juliana explica que, na contemporaneidade, as mulheres acima de 60 anos possuem rotinas dinâmicas e muitas mantêm relacionamentos afetivos, inclusive com parceiros mais jovens. Essa realidade social exige que o protocolo de prevenção do câncer do colo do útero continue sendo seguido rigorosamente, mesmo após os 65 anos, quebrando o estigma de que a idosa é um ser assexuado ou isento de riscos biológicos.
Projeto Saúde em Foco promove conscientização e debate
Para transformar a teoria em prática, a Policlínica da FUnATI está promovendo rodas de conversa através do projeto Saúde em Foco, com o tema “Cuidar Não Tem Idade”. Durante todo o mês de março, a unidade de saúde abre espaço para que profissionais de diversas especialidades esclareçam dúvidas e orientem os pacientes sobre formas de prevenção e tratamentos disponíveis.
Esses encontros visam não apenas informar sobre o câncer, mas incentivar a adoção de hábitos saudáveis que impactam diretamente na imunidade e no bem-estar geral. O objetivo é criar uma rede de apoio onde a informação circule de forma clara, combatendo o medo e o preconceito que ainda cercam os exames ginecológicos na terceira idade. Através da educação em saúde, a FUnATI espera reduzir a incidência da doença e garantir que o envelhecimento seja acompanhado de dignidade e assistência médica preventiva adequada.
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