As Forças Armadas brasileiras intensificaram as ações de repressão a crimes ambientais e transfronteiriços na Região Norte do país. Em um balanço atualizado das atividades, a Operação Catrimani II confirmou a destruição de 80 pistas clandestinas que serviam de suporte logístico para o garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami. Além de inviabilizar o pouso de aeronaves em solo protegido, o trabalho de inteligência permitiu o mapeamento de rotas estratégicas que conectam a extração de minérios ao território venezuelano.
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A fase mais recente da ofensiva ocorreu nesta terça-feira, 17 de março de 2026, com foco na interdição da pista Lobo D’Almada. Localizada no município de Iracema, ao sul de Roraima, a estrutura é considerada um alvo de alto impacto por estar situada a apenas 82 quilômetros da fronteira. Segundo as autoridades militares, o local funcionava como um entreposto onde aeronaves descarregavam suprimentos para o garimpo e, posteriormente, transportavam materiais para a Venezuela.
Logística e uso de explosivos em áreas críticas
Para garantir a inutilização da pista Lobo D’Almada, que possui 400 metros de extensão, as equipes de engenharia utilizaram 350 quilos de explosivos. O material foi detonado em fornilhos escavados a dois metros de profundidade para criar crateras que impeçam o pouso de aviões de pequeno porte. A operação mobilizou uma estrutura robusta, incluindo helicópteros das três Forças: o H-60 Black Hawk da Aeronáutica, o HM-1 Pantera do Exército e o UH-15 Super Cougar da Marinha.
O esforço logístico para essa única interdição somou mais de 13 horas de voo e o consumo de 4.200 litros de combustível. A complexidade se justifica pela reincidência dos grupos criminosos. A mesma pista já havia sido interditada em novembro de 2025, mas os infratores utilizaram terra e madeira para cobrir os danos anteriores e reativar a área de pouso. Além da Lobo D’Almada, as autoridades monitoram as pistas Dicão, Capixaba e Pupunha, todas com indícios de conexão direta com o país vizinho.
O papel da tecnologia e inteligência na Operação Catrimani II
A asfixia logística do crime organizado na região é fruto de um monitoramento contínuo que une tecnologia de ponta e presença em campo. O Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) utiliza imagens de satélite e sobrevoos frequentes para identificar novas frentes de desmatamento e pistas improvisadas. Desde o início das atividades em 2024, o ritmo de destruição tem sido constante: foram 50 pistas inutilizadas no primeiro ano, 25 em 2025 e cinco registradas até o momento em 2026.
Nilton Tubino, diretor da Casa de Governo em Roraima, ressaltou que a persistência dos criminosos em áreas próximas à fronteira indica uma mudança tática. O isolamento provocado pelas fiscalizações internas forçou o crime a buscar apoio externo, transformando a Terra Yanomami em uma zona de transbordo para mercadorias ilegais destinadas ao mercado externo via Venezuela.
Desafios da fiscalização em território amazônico
Apesar da redução de mais de 98% na atividade garimpeira ostensiva, o combate permanece desafiador devido à extensão territorial da reserva, que supera o tamanho de Portugal. Militares envolvidos na ação relatam que as organizações criminosas estão operando com uma “digital menor”, utilizando técnicas de camuflagem para esconder equipamentos sob a copa das árvores e evitar a detecção aérea.
Outro ponto de atenção revelado pelo Censipam é a adaptação dos infratores fora dos limites da terra indígena. Foram identificadas mais de 30 estradas vicinais que estão sendo convertidas em pistas de pouso improvisadas. Essa tática busca contornar o bloqueio aéreo dentro do território protegido, utilizando o transporte terrestre em estradas rurais para finalizar o escoamento ou o abastecimento do garimpo. A interdição sistemática dessas estruturas permanece como a principal ferramenta do Estado para manter a soberania e a proteção ambiental na região amazônica.
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