Divergência sobre ocupação do gabinete municipal resultou em agressões físicas e registro de boletim de ocorrência por ambas as partes envolvidas.
O município de Boa Vista do Ramos, localizado no interior do Amazonas, tornou-se palco de um episódio de violência política na manhã desta quinta-feira (22). O atual prefeito, Jarlem de Almeida Trindade (PSD), e o presidente da Câmara Municipal, Augusto Azevedo da Silva (Republicanos), envolveram-se em uma briga física dentro das dependências da prefeitura. O caso, que reflete a tensão administrativa na cidade, foi levado imediatamente às autoridades policiais.
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A confusão teve início no gabinete principal do Executivo municipal. De acordo com as informações preliminares, o desentendimento não ficou restrito a discussões verbais, evoluindo para vias de fato que exigiram a intervenção de terceiros e resultaram na ida de ambos os políticos à 46ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP) para o registro de ocorrência e prestação de depoimentos.
Versões conflitantes sobre o estopim da briga
A motivação exata do confronto em Boa Vista do Ramos apresenta narrativas opostas, dependendo da parte ouvida. A disputa central gira em torno da legitimidade da presença de cada um no gabinete naquele momento específico.
A assessoria do vereador Augusto Azevedo sustenta que o parlamentar estava no local exercendo legitimamente a função de prefeito em exercício. O argumento utilizado é de que o titular, Jarlem Trindade, estaria ausente do município, o que justificaria a ocupação da cadeira pelo presidente do Legislativo. Segundo esta versão, a chegada de Jarlem teria sido inesperada e marcada por hostilidade.
Relatos da equipe ligada ao vereador descrevem uma cena de ataque direto. Um assessor que presenciou o fato afirmou que o grupo do prefeito entrou no recinto ordenando a saída imediata de Augusto. De acordo com essa testemunha, ao tentar cumprimentar ou interagir, o vereador teria sido surpreendido por socos desferidos pelo prefeito e seus auxiliares. O assessor relatou ainda ter sido atingido nas costas e na cabeça ao tentar apartar a confusão e proteger o parlamentar.
O posicionamento do Executivo Municipal
Por outro lado, o prefeito Jarlem Trindade refuta veementemente a tese de que teria iniciado as agressões. Em sua declaração sobre o ocorrido em Boa Vista do Ramos, o chefe do Executivo afirma que agiu em legítima defesa e que sua intenção inicial era apenas retomar seu posto de trabalho.
Segundo a versão de Jarlem, ao chegar à prefeitura, ele encontrou o presidente da Câmara instalado em seu gabinete e sentado em sua cadeira. O prefeito alega que solicitou a saída do vereador de forma verbal, mas teve o pedido recusado. A narrativa do prefeito aponta que a recusa foi seguida de ofensas verbais e palavras de baixo calão por parte do vereador, que, segundo ele, teria partido para a agressão física. Jarlem sustenta que os golpes trocados foram uma reação necessária para se proteger da investida do rival político.
Desdobramentos na segurança pública
O episódio expõe a fragilidade da convivência institucional na cidade. Após o término do confronto físico, a resolução do conflito foi transferida para a esfera criminal. Ambos os políticos compareceram à delegacia local para formalizar as denúncias.
A Polícia Civil do Amazonas, por meio da unidade local, deverá conduzir as investigações para esclarecer a dinâmica dos fatos. Serão analisados os depoimentos, possíveis exames de corpo de delito e testemunhos de servidores que presenciaram a cena. O inquérito buscará determinar a responsabilidade pelas lesões corporais e verificar a legalidade dos atos administrativos que levaram à disputa pelo comando da prefeitura naquele momento.
A população aguarda agora os desdobramentos legais, enquanto o clima de instabilidade política paira sobre a administração municipal.
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