Reportagem do The Guardian revela que Delcy Rodríguez e seu irmão garantiram apoio aos EUA após a deposição do líder venezuelano
Delcy Rodríguez, atual presidente interina da Venezuela, teria prometido cooperar com o governo de Donald Trump meses antes da operação que resultou na captura de Nicolás Maduro. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (22) pelo jornal britânico The Guardian, que cita fontes ligadas às negociações.
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Segundo a publicação, tanto Delcy quanto seu irmão, Jorge Rodríguez (presidente da Assembleia Nacional), asseguram a autoridades dos Estados Unidos e do Catar que aceitariam a deposição de Maduro. No entanto, as fontes destacam um detalhe crucial nas tratativas: embora tenham concordado em colaborar com a administração Trump após a captura, os irmãos não aceitaram ajudar os norte-americanos a derrubá-lo diretamente.
Bastidores das negociações secretas
O jornal relata que os contatos entre autoridades norte-americanas e Delcy Rodríguez, que na época ocupava a vice-presidência, tiveram início em setembro do ano passado. As conversas teriam continuado mesmo após uma ligação telefônica entre Maduro e Trump em novembro.
Uma das fontes ouvidas pelo The Guardian afirmou que, em dezembro, Delcy teria dito a oficiais dos EUA que o então ditador “precisava sair” e que ela “lidaria com as consequências”.
Delcy Rodríguez assumiu a presidência interina na última segunda-feira (5), em cerimônia na Assembleia Nacional, apenas dois dias após a captura de Maduro, ocorrida em 3 de janeiro. Sua liderança foi reconhecida pelas Forças Armadas venezuelanas em nota oficial. Além dela, 283 parlamentares eleitos em maio também tomaram posse. A ausência notável foi a da primeira-dama Cilia Flores, que está sob custódia dos Estados Unidos.
Contatos com Diosdado Cabello
Outra reportagem, desta vez da agência Reuters, aponta que o governo Trump também manteve contato com Diosdado Cabello, ministro do Interior, meses antes da operação militar. Segundo a agência, Cabello teria sido alertado para não utilizar as forças de segurança ou militantes governistas contra a oposição.
Apesar de constar na mesma acusação de tráfico de drogas usada pelos EUA para justificar a prisão de Maduro, Cabello não foi detido. O ministério liderado por ele negou as informações, classificando-as como “falsas” e “mal-intencionadas”.
O papel dos militares e o futuro do chavismo
Especialistas alertam que a mudança no comando não significa o fim imediato do chavismo. Em entrevista à CNN, a especialista em direito internacional Priscila Caneparo explicou que o verdadeiro poder na Venezuela permanece com os militares, que ocupam posições estratégicas na economia e na política desde a era Hugo Chávez.
“O chavismo só vai morrer se os generais e as forças militares não apoiarem mais esse movimento”, analisou Caneparo. Ela também questionou a facilidade da operação norte-americana que retirou Maduro de seu quarto, sugerindo que a ação só foi possível com algum nível de apoio ou vazamento de informações por parte de militares venezuelanos.
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