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Caso Benício: um mês após morte, inquérito avança sem prisões e profissionais seguem afastadas

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Investigação sobre o Caso Benício aponta erro na via de administração de medicamento; defesa alega falha em sistema, enquanto polícia apura possíveis adulterações em prontuário.

As investigações sobre o Caso Benício completam um mês nesta terça-feira (23), marcadas pela complexidade dos depoimentos e pela busca por respostas concretas sobre a morte do menino de apenas 6 anos. Trinta dias após o trágico desfecho no Hospital Santa Júlia, em Manaus, o cenário jurídico e policial aponta para o afastamento das principais envolvidas, embora nenhuma prisão tenha sido decretada até o momento.

O inquérito da Polícia Civil segue em andamento, reunindo provas técnicas e testemunhais para esclarecer as circunstâncias que levaram ao óbito de Benício Xavier. A criança não resistiu a múltiplas paradas cardíacas após a aplicação incorreta de adrenalina durante um atendimento médico, fato que chocou a capital amazonense e levantou debates sobre segurança em procedimentos hospitalares.

Detalhes da investigação do Caso Benício

O ponto central apurado pelas autoridades no Caso Benício reside na administração da adrenalina. Segundo o que foi levantado pela polícia, a medicação foi aplicada diretamente na veia da criança, uma via e dosagem que não eram indicadas para o quadro clínico apresentado pelo paciente naquele momento. A aplicação inadequada é apontada como o gatilho para a rápida deterioração da saúde do menino.

As duas profissionais diretamente ligadas ao atendimento, a médica Juliana Brasil e a técnica de enfermagem Raiza Bentes, figuram como as principais investigadas. Ambas foram afastadas de suas funções por determinação judicial e estão impedidas de exercer a profissão pelo prazo de 12 meses. Apesar da gravidade dos fatos, a Justiça negou os pedidos de prisão preventiva, optando por medidas cautelares enquanto a apuração policial avança.

Recentemente, no dia 18 deste mês, a Polícia Civil cumpriu um mandado de busca e apreensão na residência da médica. Na operação, foram recolhidos o aparelho celular da profissional, diversos documentos e um carimbo que a identificava como especialista em pediatria. A apreensão levanta questionamentos, uma vez que Juliana Brasil não possui o título de especialista oficialmente reconhecido pelos órgãos competentes.

Depoimentos contraditórios e defesa

Os depoimentos colhidos ao longo deste primeiro mês do Caso Benício revelam versões conflitantes e tentativas de transferência de responsabilidade. Em sua oitiva, a médica Juliana Brasil reconheceu o erro na prescrição da via de administração da adrenalina (intravenosa), admitindo que o correto seria outra forma de aplicação. No entanto, ela afirmou ter ficado surpresa pelo fato de a equipe de enfermagem não ter questionado a ordem médica antes da execução.

A defesa da médica sustenta uma tese técnica: alega que o erro teria sido induzido por uma falha no sistema eletrônico de prescrição do Hospital Santa Júlia. Segundo os advogados, instabilidades no software no dia do atendimento teriam alterado automaticamente a via de administração do medicamento.

Por outro lado, a técnica de enfermagem Raiza Bentes, responsável pela aplicação, declarou à polícia que apenas seguiu rigorosamente a prescrição médica. Ela relatou que administrou a adrenalina sem diluição, conforme constava no pedido, e que chegou a informar a mãe da criança sobre o procedimento. Raiza descreveu que, logo após a injeção, Benício começou a apresentar sintomas graves, como palidez, fortes dores no peito e dificuldade respiratória.

O papel do hospital e novas linhas de apuração

O Hospital Santa Júlia também está sob o escrutínio das autoridades no âmbito do Caso Benício. A Polícia Civil investiga a responsabilidade da instituição no que tange à estrutura oferecida, aos protocolos de segurança do paciente e à veracidade das alegações sobre falhas no sistema de prescrição.

Édson Sarkis, fundador da unidade de saúde, prestou depoimento e defendeu os processos internos do hospital. Ele assegurou que a instituição possui protocolos rígidos de segurança e mecanismos de dupla checagem. Sarkis mencionou a presença de uma enfermeira responsável pelos protocolos durante o plantão, mas ressaltou que essa profissional não foi acionada pela equipe durante o atendimento crítico a Benício.

Além do erro na medicação, novas linhas de investigação surgiram. A polícia apura se houve falhas durante o procedimento de intubação da criança e, em um aspecto ainda mais grave, investiga a suspeita de adulteração do prontuário médico após o óbito. Testemunhas ouvidas indicaram possíveis modificações nos registros de atendimento, o que poderia configurar fraude processual e tentativa de ocultação de provas.

Clamor por justiça

Enquanto a polícia já ouviu mais de 20 pessoas, incluindo pais, médicos e enfermeiros, a família de Benício vive o luto transformado em luta por justiça. Desde a morte da criança, diversas manifestações foram realizadas em Manaus, cobrando celeridade no inquérito e a responsabilização de todos os envolvidos.

Para os familiares, o desfecho do Caso Benício deve servir não apenas como punição para os culpados, mas como um marco para exigir mudanças sistêmicas que evitem que novos erros médicos vitimem outras crianças. O inquérito policial segue sem data definida para conclusão, mas a expectativa é que os laudos periciais e a análise dos materiais apreendidos tragam novas luzes sobre o que realmente aconteceu naquele plantão.

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