terça-feira, fevereiro 3, 2026
25.3 C
Manaus
InícioDestaquesO futuro de Michelle Bolsonaro e sua ascensão na liderança da direita

O futuro de Michelle Bolsonaro e sua ascensão na liderança da direita

Publicado em

Publicidade

Ex-primeira-dama consolida influência política em meio à prisão de Jair Bolsonaro e gera tensões internas no PL sobre os rumos para 2026

O cenário político nacional observa com atenção os movimentos de Michelle Bolsonaro. De uma figura discreta durante boa parte do mandato presidencial do marido a uma liderança vocal e influente, a ex-primeira-dama traça um caminho que pode definir os rumos da oposição em 2026. Em um evento recente realizado em Fortaleza, no Ceará, Michelle exortou as mulheres a se envolverem, declarando que elas representam a “força delicada que vai transformar o mundo” e afirmando ter aceitado a missão de promover uma “política limpa”.

A postura de Michelle Bolsonaro ganha novos contornos e relevância estratégica, especialmente após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ocorrida em meados de agosto de 2025. Condenado a 27 anos e três meses em regime fechado por tentativa de golpe de Estado e outros crimes, a ausência física de Jair abriu um vácuo de poder que a presidente do PL Mulher tem ocupado com agilidade. No entanto, essa ascensão não ocorre sem turbulências.

A recente passagem de Michelle pelo Ceará desencadeou uma crise interna no Partido Liberal. Ao se opor publicamente a uma aliança da sigla com Ciro Gomes no estado, a ex-primeira-dama demonstrou força, mas também expôs as fraturas dentro do bolsonarismo. Essa movimentação evidencia como a antiga secretária parlamentar se tornou uma peça central no xadrez eleitoral, articulando candidaturas conservadoras e figurando como uma opção competitiva nas pesquisas para enfrentar o presidente Lula.

A força política e a autenticidade conservadora

Analistas políticos e figuras da oposição apontam Michelle Bolsonaro como a maior liderança feminina da política brasileira na atualidade. A sua força reside, segundo especialistas, na autenticidade com que comunica os valores conservadores cristãos, conectando-se diretamente com a base eleitoral do marido.

O ex-deputado federal Deltan Dallagnol (Novo) destaca que essa característica possui um peso enorme, potencializado pelo fato de ela ser esposa da maior referência da direita no país. Para ele, Michelle consolida-se como a segunda maior liderança desse espectro político no Brasil. Contudo, essa proeminência causa desconforto nas alas tradicionais do PL e ciúmes dentro do próprio clã Bolsonaro.

Michelle durante discurso ao público da Praça dos Três Poderes

Acredita-se que o crescimento vertiginoso da influência de Michelle tenha sido um dos fatores determinantes para que Jair Bolsonaro indicasse o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como seu pré-candidato ao Palácio do Planalto no início de dezembro. A expectativa é alta para a entrevista que o ex-presidente concederá nesta terça-feira (23/12) ao portal Metrópoles, a primeira desde sua prisão, onde deverá abordar a disputa velada entre Flávio, Michelle e o governador Tarcísio de Freitas por sua bênção política.

Da Ceilândia ao centro do poder

Para compreender o futuro de Michelle Bolsonaro, é essencial revisitar sua trajetória. Nascida na Ceilândia, região administrativa do Distrito Federal, ela é filha de uma dona de casa e de um motorista de ônibus aposentado. Sua vida profissional começou cedo, atuando como demonstradora em supermercados e considerando a carreira de modelo antes de ingressar na política como secretária parlamentar.

Michelle conheceu Jair Bolsonaro em 2007, quando trabalhava na Câmara dos Deputados. O relacionamento evoluiu rapidamente para um casamento e uma parceria profissional, embora ela tenha sido exonerada do gabinete do marido em 2008 devido à súmula vinculante do STF contra o nepotismo. A partir de então, dedicou-se a causas sociais e à igreja, com foco especial na comunidade surda, tornando-se intérprete de Libras.

Entretanto, sua biografia também carrega polêmicas. Em 2020, o nome da ex-primeira-dama foi envolvido no caso dos “rachadinhas”, quando foi revelado que Fabrício Queiroz depositou R$ 89 mil em cheques na conta dela. Embora Jair Bolsonaro tenha alegado tratar-se de pagamento de empréstimo, o episódio gerou desgaste e o apelido pejorativo de “Micheque” nas redes sociais. As investigações foram posteriormente anuladas pelo STF, mas a marca política permaneceu.

O “Michelismo” e a presidência do PL Mulher

A virada de chave na atuação pública de Michelle Bolsonaro ocorreu na campanha de 2022, quando entrou em cena para suavizar a imagem do marido e atrair o voto feminino. Em março de 2023, ao assumir a presidência do PL Mulher com um salário superior a R$ 40 mil, ela iniciou uma agenda intensa de viagens pelo Brasil.

O resultado foi tangível. O partido registrou mais de 50 mil novas filiações femininas, um crescimento acima da média nacional. Pesquisadores, como Lilian Sendretti do Cebrap, identificam um fenômeno chamado de “Michelismo”, onde a estética e a comunicação do partido foram moldadas à imagem da ex-primeira-dama, tornando-se mais incisivas e onipresentes. Parlamentares aliadas, como Bia Kicis (PL-SP), reforçam que a experiência na liderança partidária conferiu a Michelle a confiança necessária para se posicionar politicamente.

A crise no Ceará e os limites da autonomia

A autonomia de Michelle Bolsonaro foi testada ao limite durante o evento em Fortaleza, em novembro. Ao discursar para uma plateia calorosa, ela criticou abertamente Valdemar Costa Neto, presidente nacional da sigla, e André Fernandes, presidente estadual, rejeitando qualquer aproximação com Ciro Gomes. Michelle relembrou os ataques do pedetista a seu marido e afirmou que Valdemar não a representava caso apoiasse tal aliança.

A atitude foi vista como autoritária pelos filhos do ex-presidente (Flávio, Eduardo e Carlos), que alegaram que a fala contrariava as orientações do pai. Embora Michelle tenha vencido a batalha imediata, com o PL suspendendo as negociações com Ciro, a guerra interna cobrou seu preço. Dias depois, o anúncio de Flávio Bolsonaro como o escolhido para 2026 foi interpretado por analistas como uma desautorização pública das ambições presidenciais da ex-primeira-dama.

Cenários para 2026

Apesar das disputas internas, os números de Michelle Bolsonaro são expressivos. Pesquisas recentes do Ipsos Ipec mostram a ex-primeira-dama com 23% das intenções de voto em um eventual primeiro turno contra Lula, superando numericamente o próprio enteado, Flávio Bolsonaro (19%), e Tarcísio de Freitas (17%).

Para aliados como o deputado Otoni de Paula (MDB-RJ), descartar Michelle seria um erro estratégico, pois ela possui a credibilidade necessária para manter vivo o legado do bolsonarismo. Já Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, afirma que o destino dela, seja como candidata ao Senado, à Presidência ou à Vice-Presidência, será definido apenas no próximo ano.

Contudo, analistas da AtlasIntel alertam que a eleição de 2026 pode ser uma janela para a direita brasileira buscar independência da família Bolsonaro. O “fator Michelle” é complexo: ao mesmo tempo em que ela aglutina a base fiel, sua figura polariza e enfrenta resistências dentro da própria estrutura partidária que ajudou a fortalecer. O futuro político da ex-primeira-dama permanece em aberto, dependendo das articulações que ocorrerão enquanto seu principal cabo eleitoral permanece detido em Brasília.

Leia mais:
Michelle Bolsonaro proíbe coligações com partidos de esquerda
Michelle Bolsonaro pode ser candidata à presidência em 2026?
Filhos de Bolsonaro criticam Michelle por postura contra aliança do PL no Ceará

Siga nosso perfil no InstagramTiktok e curta nossa página no Facebook

📲Quer receber notícias direto no celular? Entre no nosso grupo oficial no WhatsApp e receba as principais notícias em tempo real. Clique aqui.

Últimas Notícias

Polícia Civil desarticula ataque terrorista planejado pela “Geração Z”

O combate a um ataque terrorista mobilizou as forças de segurança do Rio de...

ADS realiza 12 edições de Feiras de Produtos Regionais nesta semana em Manaus

A programação organizada pela Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (ADS) contempla dez edições...

Temporada de cruzeiros 2026 começa com chegada de navio de luxo a Manaus

A temporada de cruzeiros 2026 no Amazonas teve seu início oficial nesta segunda-feira (02/02),...

Operação do Denarc em Manaus apreende R$ 6,1 milhões em drogas e prende quatro homens

Ação da Polícia Civil interceptou 211 quilos de entorpecentes escondidos em veículos e pneus...

Mais como este

Polícia Civil desarticula ataque terrorista planejado pela “Geração Z”

O combate a um ataque terrorista mobilizou as forças de segurança do Rio de...

ADS realiza 12 edições de Feiras de Produtos Regionais nesta semana em Manaus

A programação organizada pela Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (ADS) contempla dez edições...

Temporada de cruzeiros 2026 começa com chegada de navio de luxo a Manaus

A temporada de cruzeiros 2026 no Amazonas teve seu início oficial nesta segunda-feira (02/02),...