A rápida disseminação da Mpox em diversas regiões do mundo acendeu um alerta nas autoridades sanitárias internacionais, trazendo de volta o debate sobre prevenção e vigilância epidemiológica. Identificada originalmente em colônias de macacos na década de 1950, a enfermidade — que hoje possui uma nomenclatura oficial padronizada para evitar estigmas — manifesta-se principalmente através de lesões cutâneas e sintomas febris. Compreender a dinâmica de transmissão e as características dos diferentes grupos do vírus é o primeiro passo para conter novos surtos e garantir a segurança coletiva.
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Origem e evolução do vírus Mpox no contexto humano
Historicamente, o patógeno foi detetado pela primeira vez em seres humanos em 1970, na República Democrática do Congo. Durante décadas, a doença foi considerada uma zoonose viral, ou seja, uma infeção transmitida de animais para humanos, com casos concentrados maioritariamente em regiões rurais das zonas central e ocidental de África. O contacto direto com roedores e primatas infetados era a principal via de contágio.
Contudo, o cenário alterou-se drasticamente a partir de 2022. O vírus ultrapassou fronteiras continentais, estabelecendo cadeias de transmissão sustentadas entre humanos em países onde a doença não era endémica. Esta mudança de comportamento levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar, em mais de uma ocasião, emergência de saúde pública de importância internacional, sublinhando a necessidade de uma resposta coordenada global.
Sintomas da Mpox e como identificar a infeção
O reconhecimento precoce dos sinais clínicos é fundamental para o diagnóstico e o isolamento atempado. A doença caracteriza-se, primordialmente, pelo aparecimento de erupções cutâneas que evoluem de manchas vermelhas para vesículas (bolhas com líquido) e, posteriormente, crostas. Estas lesões podem surgir em qualquer parte do corpo, incluindo rosto, extremidades e áreas genitais ou perianais.
Além das manifestações na pele, o quadro clínico costuma incluir:
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Febre de início súbito;
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Linfonodos inchados (conhecidos popularmente como ínguas), um diferencial importante em relação a outras doenças eruptivas;
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Dores musculares e de cabeça intensas;
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Exaustão e calafrios.
O período de incubação — tempo entre a exposição ao vírus e o aparecimento dos primeiros sintomas — varia geralmente de 5 a 21 dias. A transmissibilidade persiste enquanto as feridas não estiverem completamente cicatrizadas e uma nova camada de pele não se tiver formado.
Entenda a diferença entre os Clados I e II
A gravidade da doença está diretamente ligada à variante genética do vírus em circulação, dividida em dois grandes grupos denominados clados. O Clado II foi o principal responsável pelo surto global iniciado em 2022, apresentando, na maioria dos casos, sintomas mais leves e uma taxa de letalidade reduzida.
Já o Clado I, e a sua subvariante Clado 1b, têm gerado maior preocupação entre especialistas. Esta linhagem é historicamente associada a quadros clínicos mais severos e a uma maior transmissibilidade. A recente deteção desta variante fora do continente africano reforçou a necessidade de monitorização genómica constante para identificar possíveis mutações que facilitem a propagação do agente infeccioso.
Formas de transmissão e medidas de prevenção
A Mpox propaga-se essencialmente através do contacto próximo e direto com uma pessoa infetada. Isso inclui o contacto pele a pele com as lesões, fluidos corporais ou gotículas respiratórias expelidas durante conversas prolongadas ou proximidade física íntima. O contacto com objetos contaminados, como roupas de cama, toalhas ou utensílios partilhados, também representa um risco real de contágio.
Para minimizar os riscos, recomendam-se as seguintes práticas:
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Higiene rigorosa: Lavar as mãos frequentemente com água e sabão ou utilizar desinfetantes à base de álcool.
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Distanciamento: Evitar contacto físico com indivíduos que apresentem lesões suspeitas ou sintomas febris.
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Proteção de objetos: Não partilhar itens de uso pessoal com pessoas sob suspeita de infeção.
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Uso de EPIs: Profissionais de saúde e cuidadores devem utilizar equipamentos de proteção adequados ao lidar com pacientes.
Diagnóstico, tratamento e o papel da vacinação
O diagnóstico definitivo é realizado através de testes laboratoriais de Biologia Molecular (PCR), que analisam o material colhido diretamente das lesões cutâneas. Na maioria dos casos, a doença é autolimitada, ou seja, o corpo recupera naturalmente após duas a quatro semanas. O tratamento foca-se no alívio dos sintomas, na hidratação e na prevenção de infeções bacterianas secundárias nas feridas.
Embora existam antivirais específicos desenvolvidos originalmente para a varíola humana, o seu uso é restrito a casos graves ou pacientes com sistema imunitário comprometido. A vacinação também é uma ferramenta estratégica, mas, no momento, é direcionada prioritariamente para grupos de maior risco e pessoas que tiveram contacto direto com casos confirmados, visando bloquear a cadeia de transmissão em focos específicos.
A vigilância ativa e a transparência na partilha de informações continuam a ser os pilares para o controlo da Mpox. A educação da população sobre os riscos e os métodos de prevenção ajuda a reduzir o estigma e incentiva a procura por assistência médica logo aos primeiros sinais da doença.
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