A defasagem no aprendizado básico no Brasil ganhou um novo aliado tecnológico para tentar reverter indicadores críticos. A edtech brasileira SoulCode anunciou o lançamento da SoulCode Kids, uma plataforma voltada ao letramento digital de crianças e adolescentes entre 7 e 14 anos. A iniciativa surge em um momento em que apenas 5% dos alunos brasileiros que concluem a educação básica possuem conhecimento adequado em matemática, segundo dados do estudo “Aprendizagem na educação básica: situação brasileira no pós-pandemia”.
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O projeto utiliza a gamificação como ferramenta central para ensinar disciplinas complexas, como raciocínio lógico, programação em Python, desenvolvimento web e Inteligência Artificial (IA). O foco da plataforma não é apenas o entretenimento, mas a aplicação real do conhecimento por meio de desafios progressivos em um ambiente digital controlado.
Gamificação como estratégia de ensino e inclusão
Diferente de métodos tradicionais, a plataforma aposta em uma experiência lúdica onde os estudantes interagem e resolvem problemas em tempo real. Carmela Borst, cofundadora e CEO da SoulCode, enfatiza que o jogo é o meio, não o fim. Segundo a executiva, a proposta é que a tecnologia funcione como um suporte ao aprendizado, preferencialmente no contraturno escolar, integrando-se de forma equilibrada à rotina de estudos do aluno.
Além do conteúdo técnico, o sistema conta com um tutor de inteligência artificial disponível para alunos e professores. Essa ferramenta auxilia na mediação pedagógica, permitindo que o processo de letramento digital ocorra de forma guiada. A plataforma foi desenhada para ser utilizada inclusive em comunidades vulneráveis, tendo já impactado mais de 285 alunos através de parcerias com ONGs.
Segurança de dados e o papel da inteligência artificial
Um dos pilares da SoulCode Kids é a segurança no ambiente virtual. Todas as atividades ocorrem dentro de um ecossistema fechado, seguindo rigorosamente as diretrizes da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A interação com a IA acontece em uma LLM (Large Language Model) restrita, garantindo que o contato dos jovens com a tecnologia seja protegido e pedagogicamente direcionado.
Para Carmela Borst, preparar os jovens em um ambiente controlado é essencial para que desenvolvam um senso crítico antes de acessarem a internet aberta. O objetivo é que, ao lidarem com tecnologias de IA no futuro, esses estudantes já possuam uma base sólida sobre o funcionamento e os riscos das ferramentas digitais.
Superando barreiras na formação de professores e escolas
A implementação de tecnologias educacionais no Brasil enfrenta o desafio da infraestrutura e da capacitação docente. Para mitigar esse problema, a plataforma foi desenvolvida para ser intuitiva, dispensando a necessidade de os professores serem especialistas em tecnologia. A edtech oferece treinamentos, planos de aula detalhados e vídeos explicativos para garantir que o corpo docente consiga mediar o aprendizado com fluidez.
O projeto também busca reduzir a distância entre o modelo educacional tradicional e as demandas do mercado de trabalho moderno. A ideia para a criação da vertente infantil surgiu ainda em 2017, após observações sobre o ensino de lógica de programação em escolas públicas da Ásia. Agora, a meta é escalar esse modelo no Brasil para transformar não apenas a proficiência digital, mas também as perspectivas econômicas das futuras gerações.
A SoulCode, que já atende mais de 130 mil adultos em sua plataforma principal, acredita que a democratização do acesso ao conhecimento tecnológico desde a infância é o caminho para reduzir a desigualdade social e modernizar o sistema educacional brasileiro.
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