O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou, nesta quinta-feira (26), o balanço financeiro do Banco Central referente ao exercício de 2025. Após um ano de desempenho recorde em 2024, a autoridade monetária encerrou o último período com um resultado negativo de R$ 119,97 bilhões. O balanço foi impactado diretamente pela desvalorização da moeda americana frente ao real, que alterou o valor contábil das reservas internacionais do país.
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O resultado representa uma inversão em comparação ao ano anterior, quando a instituição havia registrado um lucro expressivo de R$ 270,9 bilhões. No entanto, o relatório técnico aponta que o desempenho operacional da instituição permaneceu sólido, o que impediu que o saldo negativo fosse ainda mais acentuado.
Impacto das variações cambiais no balanço do Banco Central
A principal causa para o prejuízo bilionário reside nas operações cambiais. De acordo com os dados oficiais, essas atividades, que incluem swaps cambiais e a variação das reservas internacionais, geraram uma perda de R$ 150,26 bilhões no ano passado.
Este fenômeno ocorre devido à dinâmica de conversão de ativos. Em 2025, o dólar registrou uma queda de 11,18%. Como o Brasil possui vultosas reservas em moeda estrangeira, quando o dólar perde valor frente ao real, o montante convertido para a moeda nacional diminui no papel, gerando o chamado prejuízo contábil.
Apesar da retração nas contas globais, o Banco Central obteve um lucro operacional de R$ 30,29 bilhões. Esse valor é fruto do exercício direto das atividades da autoridade monetária e ajudou a amortizar o impacto negativo das variações do câmbio, consolidando o prejuízo final em pouco menos de R$ 120 bilhões.
Repasses ao Tesouro Nacional e uso de reservas
A destinação desses valores segue ritos estabelecidos pela legislação aprovada em 2019, que define as regras de relacionamento financeiro entre o órgão regulador e o Tesouro Nacional. Mesmo com o prejuízo líquido no balanço geral, o lucro operacional de R$ 30,29 bilhões será integralmente transferido ao Tesouro em até dez dias úteis.
Já a perda cambial de R$ 150,26 bilhões terá um tratamento contábil diferente. O montante será absorvido por uma reserva específica do próprio BC, criada justamente para proteger o balanço de volatilidades do mercado financeiro. Antes da compensação, essa reserva acumulava R$ 263,08 bilhões. Com o ajuste efetuado após o fechamento de 2025, o saldo da reserva caiu para R$ 112,82 bilhões.
Essa estrutura de colchão financeiro permite que o Estado brasileiro gerencie oscilações drásticas no câmbio sem que o Tesouro precise aportar recursos imediatos para cobrir rombos contábeis derivados da valorização do real. O mecanismo assegura maior estabilidade institucional e previsibilidade na execução das políticas monetárias.
Perspectivas para a autoridade monetária
O fechamento do balanço de 2025 reforça a sensibilidade dos resultados da instituição diante do cenário externo e das cotações internacionais. Enquanto o lucro operacional demonstra a eficiência na gestão das atividades bancárias e regulatórias, o saldo final negativo evidencia como a valorização da moeda brasileira, embora positiva para outros setores da economia, produz efeitos contábeis imediatos nos ativos sob gestão da autoridade.
Com a aprovação do CMN, o foco se volta agora para a manutenção das reservas remanescentes e para a estratégia de atuação no mercado de câmbio em 2026, visando equilibrar a liquidez do mercado e a preservação do patrimônio público em moeda estrangeira.
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