A amazonense, Isabelle Nogueira, participante do Reality Show Big Brother Brasil e cunhã-poranga do Boi Garantido, trouxe à tona a discussão da variação linguística sofrida pela região Norte. Ela foi vítima de xenofobia e preconceito linguístico por alguns participantes do reality. Fora da casa, o vocabulário da amazonense também é alvo de comentários nas redes sociais.
O preconceito linguístico é a discriminação com o sotaque e forma de se comunicar de um povo, levando em consideração que a variação linguística regional, em especial a falada pelo povo amazônico, recebe grande influência, não só da língua portuguesa, como também da língua indígena.
Nesse sentido, a professora doutora Hellen Cristina Picanço Simas, linguista e docente da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), em Parintins, divulgou um artigo explicando sobre a variação de línguas do Amazonas.
Influência indígena
De acordo com Hellen Cristina, a variação linguística regional falada pelo povo do Norte, especificamente no Amazonas, foi construída a partir do contato linguístico com as línguas indígenas da região. Por isso, no vocabulário do amazonense é possível encontrar expressões como: cunhantã, curumim, pitiú, tuíra, dentre outras.
A professora ressalta ainda que a fala do amazonense é vista por alguns brasileiros com preconceito devido a estereótipos e juízos de valor negativos associados a essa variante linguística. Há um estereótipo de que as pessoas do Norte são selvagens, vivem no mato e não têm acesso às tecnologias, o que leva a uma associação negativa com a variante linguística.
No livro: “Amazonês: expressões e termos usados no Amazonas”, o escritor e professor da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Amazonas, Sérgio Freire, ressalta que parte dos brasileiros fazem um juízo de valor negativo sobre aquele que fala o dialeto chegando a terem atitudes de deboche, risos e, até mesmo, chegam a pensar que aquele que fala aquela variante é menos inteligente de quem fala outra variante prestigiada pela sociedade.
Riqueza linguística
Apesar do preconceito sofrido, a forma de se expressar deve ser motivo de orgulho, reflexo de uma identidade cultural. E como forma de descontruir estereótipos, a equipe de Isabelle Nogueira, divulga, constantemente, nas redes sociais, traços da cultura amazônica e dialetos.
“Os seres humanos adotam relacionamentos diferentes com seu meio em razão de sua sensibilidade, ou de seus respectivos modos de ver e perceber as coisas. Seu pensamento e linguagem os orientam em direção ao mundo em que vivem, e não de acordo com normas cognitivas a priori. E as variações linguísticas, portanto, também são um reflexo das diferenças nas coisas que os seres humanos percebem”, ressalta o linguista, antropólogo e filósofo, Ulric Ricken.
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