sexta-feira, janeiro 30, 2026
32.3 C
Manaus
InícioDestaquesO destino das cidades fantasmas do petróleo na Venezuela e os investimentos...

O destino das cidades fantasmas do petróleo na Venezuela e os investimentos dos EUA

Publicado em

Publicidade

As cidades fantasmas do petróleo na Venezuela vivem hoje um cenário de abandono absoluto enquanto aguardam os desdobramentos de um novo plano econômico liderado pelos Estados Unidos. O que antes eram subúrbios prósperos, inspirados no modelo de vida americano, transformaram-se em bairros silenciosos, onde a infraestrutura apodrece e a população jovem desapareceu. Esse cenário de decadência no Lago de Maracaibo é o ponto central de uma estratégia que visa atrair cerca de US$ 100 bilhões para reconstruir a indústria energética venezuelana, detentora das maiores reservas de óleo bruto do planeta.

📲Quer receber notícias direto no celular? Entre no nosso grupo no WhatsApp.

O contraste entre a riqueza do passado e o silêncio atual

Em locais como Miraflores, na Costa Leste do Lago de Maracaibo, o cenário é desolador. Planejado originalmente para abrigar executivos e técnicos de gigantes como Exxon, Chevron e Shell, o bairro exibia gramados impecáveis e uma qualidade de vida invejável. Hoje, o que se vê são casas saqueadas, fiação elétrica arrancada e ruas vazias. Moradores antigos relatam que a convivência familiar deu lugar à solidão, já que a falta de oportunidades empurrou as novas gerações para fora do país.

A crise energética na região é irônica. Apesar de estarem sobre uma bacia que já produziu milhões de barris por dia, os moradores enfrentam apagões diários e serviços públicos colapsados. Onde antes o lixo era recolhido com rigor e hospitais eram referência, agora impera o esporádico e o precário. A queda de mais de 70% no PIB venezuelano desde 2013 reflete diretamente nessas comunidades, onde aposentados tentam sobreviver com pensões que não chegam a três dólares mensais.

A produção de óleo e o impacto das mudanças políticas

O declínio das cidades fantasmas do petróleo não aconteceu da noite para o dia. Nos anos 1970, a Venezuela era uma potência global, responsável por mais de 7% da produção mundial. O processo de nacionalização em 1976 e, posteriormente, a ascensão do Chavismo em 1999, mudaram o curso da indústria. Se por um lado os altos preços do petróleo financiaram programas sociais, por outro, a falta de investimento em manutenção e a demissão em massa de técnicos especializados em 2002 iniciaram um sucateamento irreversível da estatal PDVSA.

Atualmente, a produção venezuelana é uma fração do que já foi. No final de 2025, o país registrava cerca de 860 mil barris por dia, um número muito inferior aos 3,7 milhões produzidos pelo Brasil no mesmo período. As sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos em 2017, motivadas por questões de direitos humanos e instabilidade política, aceleraram o isolamento do setor, deixando milhares de poços inativos e plataformas enferrujando nas águas do lago.

O novo horizonte com a abertura ao capital estrangeiro

Um novo capítulo começou a ser escrito em janeiro de 2026. Após a captura de Nicolás Maduro e a ascensão de Delcy Rodríguez ao controle das instituições, houve uma movimentação para reformar a legislação petrolífera. O Parlamento venezuelano aprovou recentemente mudanças que permitem novos modelos de contrato, facilitando o retorno de empresas estrangeiras.

A esperança de revitalizar as cidades fantasmas do petróleo reside na promessa de Donald Trump de “administrar” e reconstruir o setor. Para os pescadores do Lago de Maracaibo, que hoje convivem com águas manchadas de óleo e escassez de peixes devido à poluição, o retorno das petrolíferas representa a chance de empregos dignos para seus filhos. Contudo, o sentimento é dividido entre a necessidade de investimento e o desejo de manter a soberania sobre o recurso natural.

Desafios para a reconstrução da indústria energética

Apesar do otimismo de alguns setores, o caminho para a recuperação é longo. Analistas de mercado alertam que restaurar a capacidade produtiva da Venezuela pode levar uma década. O setor privado internacional demonstra cautela extrema. Executivos de grandes companhias, como a ExxonMobil, apontam que a segurança jurídica é fundamental, lembrando que ativos foram confiscados no passado.

Para que os bilhões de dólares necessários sejam aplicados, será preciso mais do que apenas uma mudança de governo ou de leis. O país precisa convencer o mundo de que é um ambiente seguro para negócios de longo prazo. Enquanto os acordos não saem do papel, os moradores de Maracaibo observam suas relíquias do passado, como os carros americanos da década de 70, estacionados em garagens de casas que esperam, quem sabe, por uma nova era de luz e prosperidade.

Leia mais:
Venezuela: Reforma petrolífera atrai capital, mas será suficiente?
Delcy Rodríguez diz ‘chega de ordens’ e desafia controle dos EUA

Família Batista articula entrada no setor de petróleo da Venezuela

Siga nosso perfil no InstagramTiktok e curta nossa página no Facebook

Últimas Notícias

Governador Wilson Lima lança maior volume de editais de CT&I da história do Amazonas, com mais de R$ 81 milhões em investimentos

Fapeam anuncia 15 editais e Estado alcança R$ 1 bilhão aplicados em ciência, tecnologia...

De Manaus para o mundo: a gigante das maquininhas que fatura bilhões

O mercado de pagamentos eletrônicos no Brasil passa por uma transformação silenciosa liderada pelo...

Wilson Lima destaca como o ensino técnico na Fundação Matias Machline transforma o futuro no Amazonas

A formatura de centenas de estudantes na Fundação Matias Machline representa um novo capítulo...

Moraes nega pedido de Eike Batista para afastar Toffoli

O ministro Alexandre de Moraes, no exercício da presidência do Supremo Tribunal Federal (STF),...

Mais como este

Governador Wilson Lima lança maior volume de editais de CT&I da história do Amazonas, com mais de R$ 81 milhões em investimentos

Fapeam anuncia 15 editais e Estado alcança R$ 1 bilhão aplicados em ciência, tecnologia...

De Manaus para o mundo: a gigante das maquininhas que fatura bilhões

O mercado de pagamentos eletrônicos no Brasil passa por uma transformação silenciosa liderada pelo...

Wilson Lima destaca como o ensino técnico na Fundação Matias Machline transforma o futuro no Amazonas

A formatura de centenas de estudantes na Fundação Matias Machline representa um novo capítulo...