O mercado de pagamentos eletrônicos no Brasil passa por uma transformação silenciosa liderada pelo Polo Industrial de Manaus. A expansão global da Transire, empresa que nasceu e cresceu na Zona Franca de Manaus, marca um novo capítulo na história da tecnologia nacional. Com um faturamento que já atinge a cifra dos R$ 2 bilhões, a companhia decidiu que é hora de levar a inteligência produzida na Amazônia para além das fronteiras brasileiras, desafiando a maturidade do mercado interno com inovação em hardware e software.
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O que começou há apenas dez anos como uma operação de representação de marcas internacionais evoluiu para um ecossistema completo de tecnologia. Hoje, a empresa não apenas domina 75% dos terminais de pagamento em circulação no varejo brasileiro, mas também detém a propriedade intelectual de seus produtos através da nova marca Zire. Essa mudança de patamar é o que sustenta a confiança da diretoria em buscar mercados competitivos como o europeu e o norte-americano.
O sucesso da expansão global da Transire e o selo Zona Franca
A estratégia de internacionalização não é um movimento isolado, mas uma resposta à saturação do setor de adquirência no Brasil. Ao estabelecer a Argentina como seu primeiro hub operacional na América Latina, a Transire inicia a exportação de um modelo de negócio testado no complexo cenário varejista brasileiro. Na sequência, países como México e Portugal já aparecem no cronograma da companhia para o segundo semestre de 2026.
Curiosamente, a logística para o mercado externo segue um padrão diferente da produção nacional. Enquanto os dispositivos vendidos no Brasil são fabricados integralmente em Manaus, aproveitando os incentivos fiscais locais, os produtos destinados à exportação serão produzidos em parceria com plantas na China. Essa dualidade permite que a empresa mantenha a competitividade global sem perder a essência do desenvolvimento tecnológico brasileiro.
Inovação em software e o desafio do Pix no varejo
Muitos analistas previam que o avanço do Pix poderia significar o fim das maquininhas de cartão. No entanto, a Transire transformou essa “ameaça” em uma oportunidade de mercado. Para a empresa, o pagamento instantâneo serviu para democratizar ainda mais o acesso digital, integrando o Pix diretamente nos terminais. A visão agora é deixar de ser uma “empresa de hardware” para se tornar um ecossistema de soluções digitais.
A personalização tornou-se a palavra de ordem. A tecnologia que atende um grande banco não é a mesma utilizada em nichos emergentes, como lavanderias de autoatendimento ou mercados autônomos instalados em condomínios residenciais. Essa versatilidade em criar terminais inteligentes (Smart POS) com sistema Android é o que permite à companhia manter uma média de 4 milhões de dispositivos produzidos anualmente.
Futuro do setor de pagamentos e novos mercados
A jornada da Transire reflete a maturidade da indústria tecnológica instalada no Amazonas. O salto de fornecedora para protagonista global exige não apenas escala fabril, mas também uma capacidade de adaptação constante. Ao desenvolver produtos “do zero” com propriedade intelectual própria, a empresa deixa de ser uma mera montadora para se tornar uma exportadora de inteligência.
O impacto dessa trajetória é sentido diretamente na economia local de Manaus, consolidando a cidade como um polo de inovação que consegue dialogar com Wall Street e o varejo de bairro simultaneamente. Com o objetivo de fechar 2026 como um player completo de software e hardware, a Transire prova que os limites geográficos da Amazônia são pequenos diante da ambição tecnológica brasileira.
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