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Quadrilhas usam CPFs de terceiros para abrir empresas e contas bancárias, alerta Serasa

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O avanço da tecnologia trouxe facilidades, mas também abriu portas para táticas criminosas cada vez mais sofisticadas. Um estudo recente da Serasa Experian revela um cenário preocupante para a segurança digital no Brasil. Em 2025, o número de vítimas da fraude do CPF disparou, registrando um aumento de 62% em comparação a 2023. Ao todo, cerca de 2,6 milhões de pessoas ou contas bancárias apresentaram indícios de uso indevido por quadrilhas especializadas que transformam cidadãos comuns em laranjas sem que eles percebam.

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A dinâmica do crime começa com o vazamento de dados pessoais, muitas vezes comercializados em fóruns da deep web. De posse de informações como nome completo, endereço, RG e número de documento, os golpistas criam identidades falsas com novas fotografias. Com esses documentos adulterados, abrem contas em instituições financeiras, registram empresas e solicitam empréstimos, deixando o rastro de dívidas e problemas jurídicos para o titular legítimo.

O impacto invisível da fraude do CPF na vida financeira

A utilização de terceiros como laranjas serve como uma blindagem para os verdadeiros beneficiários dos golpes. Leandro Bartolassi, diretor de Autenticação e Prevenção à Fraude da Serasa, explica que essa tática confere uma aparência de normalidade às transações. Em operações de transferência via Pix, por exemplo, essas contas intermediárias dificultam o rastreio do dinheiro pelas autoridades até o destino final.

O levantamento aponta ainda um desafio operacional para o setor financeiro. Apesar do alto volume de perfis suspeitos, apenas 3,2% dos casos foram efetivamente detectados em 2025. A baixa taxa de identificação ocorre devido à falta de monitoramento contínuo e ao uso limitado de tecnologias de autenticação comportamental durante a jornada do cliente, desde a abertura da conta até as transações cotidianas.

Relatos de vítimas revelam prejuízos legais e psicológicos

O impacto dessa modalidade criminosa vai muito além das perdas financeiras, atingindo a liberdade e a saúde mental das vítimas. Histórias como a do vendedor João, de 27 anos, ilustram a gravidade do problema. Ele foi detido em seu local de trabalho, no Rio de Janeiro, sob suspeita de integrar uma quadrilha. Uma conta aberta em seu nome, mas com documentos falsificados em São Paulo, era usada para receber valores ilícitos. João passou dois dias preso até que a inocência fosse comprovada, mas ainda enfrenta processos burocráticos para limpar seu histórico.

Outro caso emblemático é o da professora Maria, de 49 anos. Ela descobriu ser titular de uma distribuidora de alimentos em um estado onde nunca esteve. A fraude gerou uma dívida superior a R$ 600 mil, incluindo impostos, processos trabalhistas e títulos protestados. Maria chegou a ter seu apartamento colocado em leilão judicial. O estresse causado pela situação resultou em problemas psicológicos e afastamento do trabalho.

Ferramentas de proteção contra o uso indevido de dados

Para combater esse avanço, órgãos governamentais e o Banco Central disponibilizaram ferramentas gratuitas de monitoramento. O portal RedeSim, através da plataforma Gov.br, permite que o cidadão bloqueie a utilização de seu documento para a abertura de novas empresas ou alteração de quadros societários. A medida é essencial para evitar a criação de CNPJs fraudulentos.

Além disso, o Banco Central lançou o serviço BC Protege+. Disponível na área logada do “Meu BC”, a ferramenta permite que o usuário comunique ao sistema financeiro o desejo de não abrir novas contas bancárias. Quando ativada, as instituições ficam impedidas de realizar novas aberturas em nome do cidadão, exigindo que ele desative a proteção manualmente caso queira contratar um serviço legítimo. O sistema também oferece um histórico de consultas, permitindo verificar quais bancos pesquisaram o CPF recentemente.

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