Apesar de reunir menos de 2% da população amazonense, o município de Coari foi responsável por 14% das mortes registradas em ações policiais no estado em 2024, segundo o relatório Pele Alvo: Crônicas de Dor e Luta, divulgado pela Rede de Observatórios da Segurança.
De acordo com o levantamento, o Amazonas contabilizou 43 mortes por intervenção policial neste ano, uma redução de 27,1% em relação ao ano anterior e o menor número desde o início da série histórica, em 2019. Mesmo com a queda, o estudo destaca a concentração dos casos em cidades do interior e o perfil das vítimas, composto majoritariamente por jovens negros.
Em Coari, foram seis vítimas, o equivalente a uma em cada sete mortes registradas no estado. Já em Benjamin Constant, três dos quatro homicídios de 2024 foram cometidos por agentes de segurança. Manaus lidera em números absolutos, com 23 mortes, o que representa 53,5% do total estadual; 90,7% desses casos envolveram policiais militares.
O perfil traçado pela pesquisa aponta que 67,4% das vítimas tinham entre 18 e 29 anos, todas eram homens e 90% eram negras (pretas ou pardas) embora a população negra represente 73,7% dos amazonenses.
O relatório também chama atenção para a ausência de registros de indígenas entre as vítimas, mesmo o Amazonas sendo o estado com maior população indígena do país. Para os pesquisadores, esse dado “0,0%” indica um possível “empardecimento estatístico”, quando a identidade étnica das vítimas é apagada dos registros oficiais, o que pode sugerir subnotificação.
Outro ponto abordado é a falta de transparência sobre as mortes em ações policiais. Enquanto a Rede de Observatórios contabilizou 43 ocorrências, apenas 19 foram noticiadas pela imprensa.
“Como as fontes policiais dominam as narrativas sobre violência, é inevitável questionar por que parte desses casos não chega ao conhecimento público”, aponta o documento.
Entre 2019 e 2024, o Amazonas registrou 492 mortes decorrentes de intervenção policial, segundo o levantamento. A Rede de Observatórios defende que a Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-AM) amplie a transparência nos dados e reconheça o perfil racial e social das vítimas, como forma de garantir investigações completas e políticas de segurança mais humanas.
*Com informações da Rede Amazônica
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