A esteato-hepatite, inflamação do fígado causada pelo acúmulo de gordura, vem crescendo de forma preocupante e já é considerada uma das doenças metabólicas de maior impacto global. Apesar de sintomas discretos, a condição pode evoluir para cirrose, insuficiência hepática e aumentar o risco de câncer, segundo especialistas.
Sintomas muitas vezes ignorados dificultam diagnóstico precoce
No início da esteato-hepatite, os sinais tendem a ser sutis: desconforto no abdômen superior direito, sensação de inchaço após refeições, cansaço persistente, dificuldade de concentração e fadiga inexplicada. Muitos pacientes relacionam esses sintomas ao estresse ou à alimentação, mas eles costumam indicar que o fígado já está aumentado e inflamado.
A forma mais agressiva da doença, a esteato-hepatite não alcoólica ou metabólica (EHNA), se desenvolve a partir da doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA). O acúmulo de gordura provoca uma inflamação crônica que danifica o tecido hepático. Com o tempo, células passam a morrer e são substituídas por tecido cicatricial, processo chamado de fibrogênese. Quando essas cicatrizes se acumulam, o fluxo sanguíneo é comprometido e o fígado perde progressivamente sua capacidade de funcionamento.
Em estágios avançados, o órgão encolhe, adquire aspecto nodular e pode evoluir para cirrose, com complicações como ascite, sangramentos, insuficiência hepática e maior risco de tumor hepático.
Fatores de risco incluem obesidade, estilo de vida sedentário e predisposição genética
Pessoas com sobrepeso representam de 70% a 80% dos casos de esteato-hepatite. O risco aumenta com comorbidades como diabetes tipo 2, pressão alta e níveis elevados de lipídios no sangue. Dietas ricas em açúcar e gordura saturada, consumo frequente de refrigerantes e sedentarismo são fatores determinantes.
A resistência à insulina – quando as células deixam de responder adequadamente ao hormônio – favorece o acúmulo de gordura no fígado. Entretanto, a doença também atinge pessoas consideradas magras, mas com percentual elevado de gordura corporal, histórico familiar ou pouca atividade física.
Homens, indivíduos de meia-idade e moradores de áreas urbanas lideram os índices de risco.
Crescimento acelerado em diversos continentes acende alerta sanitário
Nos Estados Unidos, entre 9 e 15 milhões de adultos convivem com a esteato-hepatite, segundo estimativas que indicam prevalência de até 6,5% da população. A Índia registra aumento rápido na incidência, com estudos apontando que 30% a 38% da população apresenta esteatose hepática.
A Europa também concentra índices elevados, variando de 6% a 18%, dependendo do país. América Latina, Oriente Médio e Norte da África apresentam taxas acima de 12%. Em regiões urbanas da África, embora os casos ainda sejam raros, os números estão em aceleração.
A tendência de aumento global preocupa especialistas e pressiona sistemas de saúde devido à gravidade das complicações associadas à doença.
Diagnóstico ainda ocorre tardiamente
Por ser silenciosa, a esteato-hepatite frequentemente só é identificada em estágios avançados. Valores hepáticos alterados surgem em exames de rotina. Ultrassom, Fibroscan e, em casos necessários, biópsia hepática confirmam inflamação e grau de fibrose.
O tratamento geralmente envolve mudanças no estilo de vida: prática regular de exercícios, perda de peso, redução do consumo de açúcar e gordura e aumento de fibras na dieta. Protocolos como o jejum intermitente ou a dieta 5:2 podem ajudar na melhora da função hepática.
Rezdiffra é o primeiro medicamento aprovado na Europa para EHNA
A Agência Europeia de Medicamentos aprovou recentemente o Rezdiffra, primeiro fármaco indicado para adultos com EHNA, a ser utilizado em conjunto com dieta e exercícios. O resmetirom, princípio ativo, estimula um receptor do hormônio tireoidiano no fígado, reduzindo gordura, inflamação e fibrose.
Em ensaio clínico com 917 pacientes, 30% apresentaram resolução da doença após um ano, contra 10% no grupo placebo. Também houve melhora significativa na fibrose hepática. Os efeitos mais comuns foram diarreia, náuseas e coceira. A aprovação é condicional, e novos dados devem ser fornecidos pela farmacêutica.
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