A visita do proprietário a um imóvel que já está alugado é um tema que gera dúvidas frequentes e, muitas vezes, desconforto entre as partes. Embora o dono possua a escritura e, em muitos casos, uma cópia das chaves, a legislação brasileira estabelece limites rígidos para garantir a privacidade de quem mora no local. A dúvida central é comum: o locador pode entrar quando quiser? A resposta legal e prática é não.
📲Quer receber notícias direto no celular? Entre no nosso grupo no WhatsApp.
O cenário de locação no Brasil é vasto. Segundo a Síntese dos Indicadores Sociais divulgada em 2023 pelo IBGE, cerca de um quinto da população brasileira vive de aluguel. Com o aumento do custo para a compra da casa própria, a locação tornou-se a alternativa viável para muitas famílias, o que reforça a necessidade de compreender as regras do jogo para evitar conflitos desgastantes.
O que diz a lei sobre a visita do proprietário
Ao assinar um contrato de locação, o inquilino adquire o direito de uso exclusivo do espaço por tempo determinado. Juridicamente, ele detém a posse direta do imóvel, o que lhe garante a autoridade para autorizar ou negar a entrada de terceiros, inclusive do dono.
A Lei do Inquilinato e os contratos padrão definem que a convivência deve ser pautada pela comunicação. Para que uma visita ocorra sem problemas legais, é necessário cumprir três requisitos básicos:
-
Comunicação por escrito: O pedido deve ser formalizado.
-
Detalhamento: É preciso informar o motivo, a data e a hora da visita.
-
Autorização: A entrada depende do consentimento prévio do inquilino.
Uma inspeção rápida ou uma visita surpresa, mesmo que o proprietário tenha boas intenções, pode ser interpretada como violação da privacidade se não houver aviso prévio.
Exceções: Venda, reparos e emergências
Embora a privacidade seja a regra, existem situações específicas em que o acesso ao imóvel se faz necessário. Se o imóvel estiver à venda, por exemplo, o locatário deve permitir a visita de potenciais compradores, desde que combinada com antecedência e em horários razoáveis, sem perturbar a rotina dos moradores. O mesmo vale para manutenções e reparos solicitados pelo próprio inquilino.
Contudo, há uma exceção importante onde a visita do proprietário independe de autorização: as emergências. Em casos de incêndio, vazamentos graves ou danos estruturais que coloquem em risco a segurança física do imóvel ou dos moradores, a entrada é permitida imediatamente, mesmo sem o consentimento de quem aluga. Vale ressaltar que “emergência” não é uma justificativa genérica; deve haver um risco real e comprovável.
Consequências legais: Invasão de domicílio
Quando as regras não são respeitadas, o locador pode sofrer consequências sérias. A entrada no imóvel sem permissão pode configurar crime de invasão de domicílio, previsto no artigo 150 do Código Penal, que protege a inviolabilidade do lar.
Além da esfera criminal, a Lei do Inquilinato exige que o proprietário zele pelo uso pacífico do imóvel pelo locatário. O desrespeito a essa norma pode motivar uma ação por descumprimento contratual, gerando multas ou até a rescisão do contrato por culpa do locador.
Para evitar desgastes, a recomendação para ambas as partes é a clareza: manter o diálogo, registrar combinados por escrito e respeitar os horários agendados é o caminho mais seguro para uma locação tranquila.
Leia mais:
TDAH em adultos: o que explica a explosão de novos diagnósticos?
Programa Mais Saúde forma 109 mil profissionais em todo o país
Balanço 2025 aponta tecnologia e infraestrutura como motores da saúde no Amazonas
Siga nosso perfil no Instagram, Tiktok e curta nossa página no Facebook

