Gigante de tecnologia lança infraestrutura para transformar sua IA em vitrine e caixa, eliminando etapas da jornada de compra; parceria estratégica com varejistas visa recuperar terreno perdido nos EUA.
O Google iniciou nesta segunda-feira (12) sua mais agressiva ofensiva para retomar a liderança no comércio eletrônico mundial. Em um movimento duplo que combina nova infraestrutura tecnológica e parcerias de peso, a companhia anunciou o Universal Commerce Protocol (UCP) e um acordo estratégico com o Walmart. O objetivo é claro: transformar o buscador e sua inteligência artificial, o Gemini, não apenas em um local de pesquisa de preços, mas no ponto final de venda, desafiando diretamente a hegemonia da Amazon.
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A nova estratégia marca uma mudança fundamental no modelo de negócios da Alphabet. Se antes o Google atuava como um intermediário que direcionava tráfego para outros sites, agora a empresa busca ser a “vitrine e o caixa” do varejo. A meta é manter o usuário dentro de seu ecossistema durante toda a jornada de consumo, desde a intenção de compra até o pagamento.
O fim da fricção: do desejo à entrega
O coração dessa transformação é o Gemini, a IA generativa do Google. Com a implementação do UCP, o consumidor poderá realizar todo o processo de compra conversando com a inteligência artificial.
Segundo as demonstrações apresentadas, a tecnologia reduz drasticamente a fricção — o número de cliques e etapas necessárias para concluir um pedido. O sistema é capaz de entender contextos complexos, como “encontrar um vestido midi que combine com sandálias douradas para um casamento em Miami”, e não apenas sugerir produtos, mas realizar o checkout utilizando os dados de pagamento e entrega já armazenados no Google Pay e Google Wallet.
Além disso, novas funcionalidades foram detalhadas para integrar o mundo físico ao digital:
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“Let Google Call”: A IA pode telefonar autonomamente para lojas físicas para confirmar estoques ou verificar tamanhos, poupando tempo do consumidor.
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Navegação assistida: O Gemini navega pelos sites dos varejistas em nome do usuário, aplicando cupons, comparando fretes e preenchendo formulários automaticamente.
Aliança estratégica com o Walmart
Para viabilizar essa ambiciosa operação, o Google firmou uma parceria crucial com o Walmart, a maior varejista do mundo. O acordo permite que o inventário do Walmart (e de sua subsidiária Sam’s Club) seja integrado nativamente ao Gemini.
Na prática, quando um usuário solicitar sugestões de compras de supermercado ou eletrônicos, a IA priorizará e apresentará opções do estoque do Walmart quando relevantes, facilitando a reposição de itens recorrentes ou a montagem de cestas completas de produtos.
Essa união beneficia ambos os lados: o Google ganha acesso a um inventário massivo e dados de consumo reais para treinar seus modelos, enquanto o Walmart abre um novo canal de vendas de alta tecnologia para competir com a conveniência logística da Amazon. Vale notar que o Walmart mantém uma estratégia diversificada, possuindo também acordos com a OpenAI, criadora do ChatGPT, sinalizando que a disputa pelo “comércio assistido por IA” será o grande tema de 2026.
O “Dilema da Amazon” e o impacto no mercado
A motivação por trás desse movimento é estatística e financeira. Nos Estados Unidos, a maioria das buscas por produtos já começa diretamente na Amazon, pulando o Google. No Brasil, embora o Google ainda seja a porta de entrada predominante, a tendência global de migração para marketplaces fechados acendeu o alerta em Mountain View.
Executivos do setor, no entanto, reagem com cautela. A principal preocupação é que, ao centralizar a experiência no Gemini, as marcas se tornem “fornecedores invisíveis”, perdendo o contato direto com seus clientes e a capacidade de construir fidelidade à marca. O CEO da Alphabet procurou tranquilizar o mercado, afirmando que o modelo visa empoderar os varejistas, não escondê-los.
Números recentes reforçam a urgência dessa adaptação: as ações do Walmart subiram mais de 65% no último ano, impulsionadas justamente por seus investimentos em digitalização. Com o novo protocolo do Google, a expectativa é que a barreira entre o desejo de consumo e a compra efetiva se torne praticamente inexistente, inaugurando uma nova era para o varejo global.
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