O consumo de energia da IA nos Estados Unidos está redesenhando o mapa energético do país de uma maneira inesperada. O que deveria ser uma marcha contínua rumo à sustentabilidade encontra um obstáculo prático: a necessidade voraz de eletricidade por parte das grandes empresas de tecnologia.
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Para sustentar o desenvolvimento de modelos de inteligência artificial cada vez mais complexos e a expansão dos data centers, operadores de rede estão recorrendo a fontes de energia que muitos consideravam obsoletas. Segundo informações divulgadas originalmente pelo portal Terra, baseadas em reportagem da Xataka, a oferta de eletricidade limpa simplesmente não tem conseguido acompanhar a velocidade da demanda tecnológica.
O descompasso entre a energia da IA e as fontes limpas
O cerne do problema reside na velocidade de implementação. O setor de IA consome eletricidade em um ritmo muito superior à capacidade de construção de novas usinas de geração renovável.
Enquanto a instalação de parques eólicos, solares ou usinas nucleares exige longos prazos de execução (frequentemente levando anos para entrar em operação), a demanda de um data center pode escalar drasticamente em questão de meses. Cria-se, assim, um “gap” significativo entre o consumo imediato e a oferta de energia verde disponível.
Especialistas e operadores do mercado energético apontam que esse desequilíbrio forçou uma medida pragmática, porém controversa: a reativação de usinas termelétricas movidas a combustíveis fósseis. Muitas dessas instalações, que estavam programadas para serem desativadas em cumprimento a metas ambientais, estão sendo ligadas novamente. A vantagem desses equipamentos antigos é a capacidade de resposta rápida para atender picos emergenciais, ainda que o custo seja o aumento das emissões de poluentes.
O paradoxo tecnológico: Inovação movida a energia antiga
Vivemos um paradoxo moderno evidente. A tecnologia mais avançada do planeta, representada pela inteligência artificial generativa e seus complexos sistemas computacionais, depende, temporariamente, de fontes energéticas do século passado para manter suas operações.
A pressão é particularmente intensa em regiões críticas, como a área coberta pelo mercado de energia PJM, que concentra uma parcela significativa da capacidade elétrica norte-americana e abriga inúmeros data centers.
No entanto, esse movimento não sinaliza um abandono das soluções sustentáveis. Trata-se de uma resposta emergencial. Paralelamente ao uso de fósseis, corporações e governos continuam explorando alternativas como:
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Energia nuclear;
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Gás natural;
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Sistemas avançados de armazenamento em baterias.
Pesquisas recentes indicam que o gás natural e a energia nuclear ainda representam grandes fatias da eletricidade que alimenta os data centers. As fontes renováveis continuam crescendo, mas em um ritmo lento quando comparado à explosão da demanda da IA.
O grande desafio para os Estados Unidos e outras economias desenvolvidas será equilibrar essa revolução tecnológica com a transição energética necessária, evitando que a sede por eletricidade imediata comprometa as metas climáticas de longo prazo.
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