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Família Batista articula entrada no setor de petróleo da Venezuela

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A Família Batista, controladora da J&F, desponta como peça central na revitalização da indústria energética venezuelana, aproveitando a abertura econômica pós-Maduro e o alinhamento com a estratégia dos Estados Unidos para a região.

A movimentação dos empresários brasileiros ocorre em um momento crucial de redefinição política no país vizinho. Com a queda de Nicolás Maduro no início deste mês e a ascensão de um governo de transição, os irmãos Batista, conhecidos globalmente pelo império no setor de alimentos, voltam suas atenções para o vasto potencial energético venezuelano. A estratégia envolve posicionar a Fluxus, empresa de óleo e gás do grupo, em projetos estratégicos que podem se beneficiar diretamente dos planos do presidente americano Donald Trump para estabilizar o fornecimento de energia na América do Sul.

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Embora a J&F adote publicamente uma postura de cautela, aguardando “estabilidade institucional e segurança jurídica”, fontes ligadas ao mercado indicam que o grupo já possui um posicionamento privilegiado. Isso se deve, em parte, à participação de associados de negócios no projeto Petrolera Roraima, um campo com potencial de um bilhão de barris que anteriormente era operado pela gigante americana ConocoPhillips.

Joesley Batista atua como diplomata empresarial

A influência da Família Batista na nova fase da Venezuela vai além do interesse comercial direto. Joesley Batista emergiu como um interlocutor chave na transição de poder. Relatos apontam que o empresário viajou recentemente de Washington a Caracas para se reunir com a presidente interina, Delcy Rodríguez. O objetivo foi sondar a abertura do novo governo ao capital estrangeiro, retornando com perspectivas otimistas para as autoridades norte-americanas, especialmente nos setores de petróleo e gás natural.

Essa habilidade de transitar entre diferentes espectros políticos tem sido um diferencial do grupo. A Pilgrim’s Pride, subsidiária da JBS nos EUA, foi uma das maiores doadoras para a posse de Trump em 2025. Simultaneamente, Joesley manteve canais abertos com o governo brasileiro, tendo sido encarregado pelo presidente Lula, no ano passado, de negociar alívios tarifários com a Casa Branca.

O projeto Petrolera Roraima e o legado da ConocoPhillips

O foco principal das atenções no momento é o projeto Petrolera Roraima. Em 2024, ainda sob a gestão anterior, o Ministério do Petróleo venezuelano concedeu direitos de exploração por 25 anos à A&B Investments. A empresa é liderada por Jorge Silva Cardona, um associado de negócios próximo aos Batista.

Este empreendimento não é apenas mais um campo de petróleo; ele representa uma infraestrutura de ponta projetada no início dos anos 2000. O complexo possui “upgraders”, refinarias especializadas capazes de converter o petróleo pesado venezuelano em um produto sintético mais leve e valioso, com capacidade de processar cerca de 90 mil barris por dia. A reativação plena dessa estrutura é vista como um passo fundamental para a recuperação econômica do país.

Cautela diante do cenário internacional

Apesar do posicionamento estratégico, a entrada formal da Fluxus ou de outras empresas da holding no país depende de garantias robustas. A família Batista teme comprometer seus extensos investimentos nos Estados Unidos, que incluem a processadora Pilgrim’s Pride, caso as sanções não sejam flexibilizadas de maneira clara.

Donald Trump sinalizou que, embora reconheça as expropriações do passado, não pretende reverter nacionalizações antigas, mas sim fomentar a produção atual. Isso coloca os brasileiros em uma vantagem competitiva em relação a empresas americanas e europeias, que ainda aguardam garantias de segurança mais sólidas antes de enviar equipes e equipamentos para o terreno.

Se a estabilidade se confirmar, a Família Batista poderá não apenas liderar a retomada do petróleo venezuelano, mas também expandir sua atuação para setores de mineração e infraestrutura elétrica, consolidando-se como um ator indispensável na reconstrução da economia vizinha.

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