Investimento em infraestrutura de alto desempenho visa integrar serviços públicos, desenvolver Inteligência Artificial nacional e aprimorar o monitoramento climático.
Um novo supercomputador está em fase de desenvolvimento para posicionar o Brasil entre as cinco maiores potências mundiais em processamento de dados de alto desempenho. A iniciativa, confirmada pela ministra da Ciência, Tecnologia e Inovações, Luciana Santos, integra um esforço estratégico para reforçar a soberania nacional no setor tecnológico. O equipamento terá capacidade para unificar bases de dados de programas governamentais, garantindo maior agilidade ao serviço público, além de elevar a precisão na detecção de eventos climáticos extremos.
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As declarações da ministra ocorreram durante entrevista ao programa CB.Poder. Segundo Santos, a aquisição e o desenvolvimento dessa máquina robusta fazem parte de um plano mais amplo que inclui a criação de uma linguagem de inteligência artificial (IA) inteiramente brasileira. O objetivo é reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras e eliminar vieses externos nos modelos de linguagem utilizados no país.
Infraestrutura para um serviço público eficiente
O edital para a implementação do novo supercomputador será lançado ainda este ano, sob a coordenação do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC). A infraestrutura não servirá apenas à pesquisa acadêmica, mas terá uso múltiplo e pragmático na administração federal.
A capacidade de processamento da nova máquina permitirá o cruzamento de dados complexos de iniciativas como o Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, matrículas escolares e processos judiciais. Ao integrar essas informações com rapidez, o governo espera combater fraudes, entender melhor a evasão escolar e otimizar a distribuição de recursos, resultando em um serviço público mais assertivo e menos burocrático.
O supercomputador e a nova IA brasileira
Paralelamente ao hardware, o Brasil avança no software com o lançamento do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA). O projeto estrutura-se em cinco eixos fundamentais: infraestrutura, serviço público, indústria, capacitação profissional e governança.
Dentro deste escopo, destaca-se o desenvolvimento de um LLM (Large Language Model) com identidade nacional. A ideia é treinar a inteligência artificial com dados e contextos culturais locais, garantindo soberania sobre as informações processadas. Para sustentar esse avanço, o ministério prevê fortes investimentos na formação de engenheiros de hardware e desenvolvedores, preparando o capital humano necessário para operar essas tecnologias de ponta.
A ministra ressaltou que, embora a IA tenha potencial transformador na medicina de precisão e na educação, seu uso deve ser regulado, especialmente em contextos sensíveis como eleições, onde a manipulação de dados pode representar um risco à democracia.
Monitoramento climático e prevenção de desastres
A tecnologia de ponta desempenha um papel vital na segurança ambiental. Atualmente, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) já opera com o computador Jaci e, com apoio do Cemaden, consegue antecipar eventos extremos com até 72 horas de antecedência.
O novo equipamento ampliará essa capacidade analítica. Somado ao lançamento de satélites, inclusive um modelo geoestacionário desenvolvido em parceria com a China, o sistema permitirá o processamento de modelos matemáticos complexos para prever geadas, marés e chuvas intensas com maior exatidão. Essa integração tecnológica é essencial para mitigar os impactos das mudanças climáticas e salvar vidas.
Reindustrialização e retorno de cérebros
O avanço tecnológico está diretamente ligado à “Nova Indústria Brasil”. O ministério atua em conjunto com o BNDES e a Finep para promover uma reindustrialização baseada em sustentabilidade e transformação digital. O foco inclui reduzir o deficit da balança comercial na área da saúde, que hoje gira em torno de US$ 20 bilhões devido à importação de insumos.
Além de máquinas e indústrias, o plano valoriza o capital intelectual. O governo iniciou um programa de repatriação de cientistas, investindo cerca de R$ 1 bilhão ao longo de cinco anos. Até o momento, 2.500 pesquisadores brasileiros que estavam no exterior já retornaram ao país para contribuir com o desenvolvimento nacional.
Mulheres na ciência e combate à violência
A ministra também abordou a disparidade de gênero no setor. Embora as mulheres representem 64% das bolsas de iniciação científica júnior, esse número cai para 35,5% no topo da carreira, refletindo desafios estruturais e responsabilidades familiares. Programas específicos estão sendo criados para incentivar a presença feminina nas ciências exatas e engenharias.
No âmbito social, a tecnologia é apontada como aliada no enfrentamento à violência contra a mulher. Ferramentas digitais podem fortalecer a rede de proteção, embora a ministra destaque que a prevenção do feminicídio exige, primordialmente, uma mudança cultural profunda na sociedade.
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