Presidente interina afirma estar farta da pressão de Washington e garante que a Venezuela não será colônia estrangeira após captura de Maduro.
A crise na Venezuela ganhou um novo capítulo com o posicionamento firme de sua líder interina. Neste domingo (25), Delcy Rodríguez enviou um recado direto à Casa Branca, declarando estar “farta” das diretrizes americanas. O pronunciamento ocorre em meio à tensão sobre o controle das reservas de petróleo e às ameaças do presidente Donald Trump, consolidando Delcy Rodríguez como a figura central da resistência em Caracas.
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O fim da interferência estrangeira
Durante um encontro com trabalhadores do setor petrolífero no estado de Anzoátegui, Rodríguez adotou um tom firme e nacionalista. A mensagem foi direta: os conflitos internos devem ser resolvidos pelos próprios venezuelanos, sem a tutela de potências externas.
“Chega de ordens de Washington sobre os políticos na Venezuela. Deixemos que a política venezuelana resolva nossas diferenças e conflitos internos. Chega de potências estrangeiras”, afirmou a presidente interina.
O pronunciamento busca consolidar sua liderança e enviar um sinal claro de resistência, mesmo diante da forte pressão exercida pelo governo norte-americano desde a mudança forçada de poder em Caracas.
Pressão de Washington e o fator petróleo
A postura de Rodríguez surge como resposta direta às recentes movimentações de Donald Trump. Após a operação que retirou Maduro do poder, o presidente dos Estados Unidos declarou que o governo interino estaria sob supervisão americana, citando especificamente o controle sobre o petróleo, recurso vital para a economia local.
Embora Trump tenha mencionado inicialmente uma boa relação com a presidente interina, chegando a elogiá-la como uma “pessoa incrível” após um contato telefônico, o tom mudou rapidamente. Em entrevista à revista The Atlantic, o líder americano emitiu um aviso severo: a falta de cooperação custará caro.
“Se ela não fizer o que é certo, vai pagar um preço muito alto, provavelmente maior do que o de Maduro”, ameaçou Trump, indicando que a tolerância da Casa Branca depende estritamente do alinhamento de Caracas aos interesses de Washington.
Legitimidade interna e apoio militar
Apesar da pressão externa, a sustentação de Delcy Rodríguez e EUA segue lógicas distintas. Internamente, sua posição foi assegurada pelas instituições venezuelanas. O Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) agiu rapidamente após a queda de Maduro, nomeando-a para garantir a “continuidade administrativa e a defesa integral da Nação”.
O apoio foi ratificado pelas Forças Armadas. Vladimir Padrino, ministro da Defesa, endossou a decisão do Supremo em rede nacional, confirmando a permanência de Rodríguez no cargo por um período de 90 dias. Essa coesão entre o judiciário e os militares é fundamental para a estabilidade do governo interino, que classifica a ação americana contra Maduro como um “sequestro” e promete que o país “nunca será colônia de nenhuma nação”.
O perfil de Delcy Rodríguez
Advogada de 55 anos, Delcy Rodríguez não é uma figura nova no tabuleiro político. Com uma trajetória iniciada em 2003, ainda sob a gestão de Hugo Chávez, ela acumulou experiência e construiu uma reputação de combatividade. Sua presença tem sido constante nos momentos de maior turbulência institucional, o que, segundo o The New York Times, levou autoridades americanas a considerarem seu nome “aceitável” para uma transição temporária antes mesmo da operação contra Maduro.
Agora, o desafio da presidente interina é equilibrar a soberania nacional que promete defender com a realidade da pressão econômica e política vinda do Norte.
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