O ministro Alexandre de Moraes, no exercício da presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu manter o ministro Dias Toffoli à frente do processo que envolve ativos bilionários do empresário Eike Batista. A defesa de Eike buscava a suspeição de Toffoli, alegando que uma suposta relação de amizade íntima com o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, comprometeria a isenção necessária para o julgamento da causa.
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Moraes, no entanto, fundamentou sua decisão no fato de que o pedido não se enquadra nas hipóteses legais previstas para o afastamento de magistrados. O caso de Eike Batista ganha novos contornos com essa negativa, mantendo a relatoria de Toffoli sobre a disputa de debêntures que podem valer até R$ 10 bilhões, segundo os advogados do empresário.
O conflito de interesses apontado pela defesa
Os advogados de Eike Batista basearam a ação de suspeição em imagens que mostram Toffoli e André Esteves em um ambiente de convivência social em um resort no Paraná. Segundo a tese defensiva, essa proximidade teria reflexos diretos nas decisões sobre o destino das debêntures da Iron X Mineração. Eles alegam que o BTG Pactual seria o verdadeiro beneficiário da compra desses ativos por valores subestimados, utilizando-se de um fundo de investimento para concretizar a operação.
De acordo com o Código de Processo Civil, a suspeição ocorre quando há prova de amizade íntima ou interesse direto no resultado do processo. No entanto, Alexandre de Moraes destacou que o banco citado não figura como parte direta na ação, o que enfraquece o argumento jurídico para o impedimento do relator.
DMoraes nega pedido de Eike Batista em momento crucial
A decisão ocorre em um período de recesso judiciário, o que coloca Moraes como o responsável por decisões urgentes na Corte. Ao manter Toffoli, o ministro assegura a continuidade do rito processual estabelecido, frustrando a estratégia da defesa de transferir o caso para outro magistrado.
O foco agora se volta para o plenário virtual da Segunda Turma, onde recursos da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da própria defesa serão analisados. O Ministério Público questiona a venda dos ativos que garantem o pagamento de multas pesadas impostas a Eike em seu acordo de colaboração premiada.
O impacto financeiro e o futuro das debêntures
O valor em jogo é colossal. Enquanto Toffoli avaliou os títulos em R$ 612 milhões, a defesa sustenta que o potencial de arrecadação com royalties em 25 anos é imensamente superior. O desfecho dessa disputa, marcado para fevereiro de 2026, definirá não apenas o futuro patrimonial do empresário, mas também como o STF lida com questionamentos sobre a imparcialidade de seus membros em casos de alta repercussão econômica.
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