A cooperação nuclear entre o Brasil e a Federação Russa ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (5), com a assinatura de um documento conjunto focado no desenvolvimento tecnológico e científico. O texto, firmado em Brasília pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelo primeiro-ministro russo Mikhail Mishustin, estabelece as bases para parcerias em geração de energia e saúde. Diferente de especulações recentes, o tratado foca exclusivamente em aplicações civis, sem qualquer menção a armamentos ou transferência de tecnologia bélica.
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O acordo foi o ponto alto do Fórum Empresarial Brasil–Rússia, sediado no Palácio do Itamaraty. O encontro marcou a oitava reunião da Comissão de Alto Nível (CAN) de Cooperação, o principal mecanismo de diálogo institucional entre as duas nações. A iniciativa busca atualizar o marco jurídico que rege as relações bilaterais, permitindo que projetos de infraestrutura energética e de saúde avancem com maior segurança jurídica e previsibilidade técnica.
Os pilares da cooperação nuclear civil
O documento detalha áreas estratégicas onde o intercâmbio técnico será intensificado. Um dos eixos principais é o ciclo do combustível nuclear, processo essencial para a autonomia energética de países que possuem usinas termonucleares. O interesse mútuo abrange desde a exploração e processamento de minérios até a gestão de resíduos e a otimização da geração de eletricidade.
Para o governo brasileiro, o estreitamento desses laços representa uma oportunidade de modernizar o setor energético nacional. A atualização das diretrizes bilaterais permitirá que empresas brasileiras e russas colaborem em projetos de engenharia complexa, aproveitando a vasta experiência russa no setor para impulsionar a capacidade de geração de energia limpa e firme na matriz brasileira.
Avanços na medicina e insumos estratégicos
Além da energia, o acordo traz impactos diretos para o setor de saúde pública. Um dos pontos práticos mais relevantes citados na declaração conjunta é a ampliação da produção e fornecimento de radioisótopos medicinais. Esses insumos são fundamentais para a realização de diagnósticos por imagem e tratamentos oncológicos avançados.
Atualmente, o Brasil busca reduzir sua dependência de importações nesse setor. A parceria com a Rússia visa garantir que o Sistema Único de Saúde (SUS) e a rede privada tenham acesso constante a esses materiais estratégicos. A cooperação técnica para a produção nacional desses insumos é vista como uma medida essencial para a soberania sanitária e para a redução de custos nos tratamentos de alta complexidade.
Geopolítica e segurança internacional
Embora o foco seja técnico e econômico, o encontro ocorreu em um momento de sensibilidade diplomática global. No mesmo dia da assinatura, expirou o tratado New START, o último grande pacto de controle de armas nucleares entre Estados Unidos e Rússia. Diante desse cenário, a nota oficial do Palácio do Planalto reiterou que o compromisso brasileiro permanece restrito aos fins pacíficos, conforme determina a Constituição Federal.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a agilidade na implementação dos acordos, destacando que a cooperação deve gerar resultados econômicos concretos e imediatos. No campo diplomático, ambos os países manifestaram preocupação com a segurança internacional, defendendo a prevenção de uma corrida armamentista no espaço sideral.
O documento também apresenta críticas a medidas coercitivas unilaterais, frequentemente aplicadas contra nações em desenvolvimento. Para os signatários, tais sanções são incompatíveis com o direito internacional e prejudicam o crescimento econômico global. Assim, o fórum reafirmou o desejo de fortalecer fóruns multilaterais e garantir uma ordem internacional baseada no diálogo e na cooperação institucional mútua.
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