Um levantamento detalhado realizado com base em registros de cartórios aponta que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, registraram um crescimento de 266% em seu patrimônio imobiliário desde 2017. O montante saltou de R$ 8,6 milhões para os atuais R$ 31,5 milhões, abrangendo um conjunto de 17 propriedades localizadas em pontos estratégicos de São Paulo e Brasília.
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Expansão dos ativos e compras com pagamento à vista
O salto mais expressivo nos investimentos da família ocorreu nos últimos cinco anos. Nesse intervalo, o casal desembolsou R$ 23,4 milhões na aquisição de imóveis, montante que representa mais de dois terços de todo o valor investido por eles no setor ao longo das últimas três décadas. De acordo com as escrituras e matrículas analisadas, as transações recentes foram quitadas integralmente à vista, utilizando métodos como transferências bancárias e Pix para o pagamento de sinais e saldos devedores.
Em 2017, quando Moraes foi indicado à Corte pelo então presidente Michel Temer, o casal possuía 12 imóveis. O aumento de renda do ministro no período foi de 39%, passando de R$ 33 mil para R$ 46 mil mensais. Antes de integrar o STF, Alexandre de Moraes ocupou cargos de relevância na administração pública estadual e municipal, além de ter atuado no Ministério Público, sempre com vencimentos próximos ao teto do funcionalismo.
Gestão de bens e o papel do Lex Instituto
A maior parte das operações imobiliárias recentes foi conduzida por meio do Lex Instituto de Estudos Jurídicos. Embora o nome sugira uma atividade acadêmica, a entidade funciona como uma empresa limitada voltada à administração dos bens da família. Os sócios formais são Viviane Barci de Moraes e os dois filhos do casal.
Como o ministro é casado sob o regime de comunhão parcial de bens, as propriedades adquiridas durante a união integram o acervo comum. Entre as aquisições notáveis via instituto, destaca-se uma mansão de 776 metros quadrados no Lago Sul, em Brasília, arrematada por R$ 12 milhões no ano passado. Em São Paulo, o grupo adquiriu recentemente um apartamento no Jardim Paulista e duas unidades de alto padrão em Campos do Jordão que, somadas, totalizam 727 metros quadrados.
Crescimento do escritório de advocacia e receita do patrimônio imobiliário
A expansão patrimonial coincide com o aumento do volume de trabalho do escritório Barci de Moraes Advogados. Desde que o magistrado assumiu o cargo no STF, o número de ações conduzidas por Viviane nos tribunais superiores subiu de 27 para 152.
Recentemente, o escritório tornou-se centro de atenções devido a um contrato com o Banco Master. A banca de advocacia recebeu cerca de R$ 3,6 milhões mensais entre 2024 e 2025, totalizando ao menos R$ 75,6 milhões por serviços de compliance e direito criminal. Especialistas do setor jurídico observaram que tais valores superam as práticas habituais de grandes firmas do mercado de elite para serviços similares.
Transações com advogados e transparência
Os registros também revelam negócios imobiliários envolvendo advogados que possuem causas tramitando no Supremo. Em 2024, a empresa da família vendeu um imóvel no litoral paulista para um advogado que obteve, anteriormente, uma decisão favorável em habeas corpus relatado por Moraes. O comprador afirmou não possuir relação pessoal com o ministro e ressaltou que a transação foi estritamente comercial com a pessoa jurídica.
Até o momento da publicação desta reportagem, as assessorias do ministro Alexandre de Moraes e de Viviane Barci de Moraes não haviam respondido aos pedidos de esclarecimento sobre o levantamento dos dados.
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