A Petrobras oficializou a destituição de Claudio Romeo Schlosser do cargo de diretor executivo de Logística, Comercialização e Mercados. A decisão foi comunicada na noite de segunda-feira, 6 de abril, após uma reunião extraordinária do Conselho de Administração da estatal. A saída do executivo ocorre em um momento de forte tensão institucional, motivada pela realização de um leilão de gás de cozinha que registrou ágio superior a 100% em relação ao preço de tabela, gerando insatisfação direta na cúpula do Governo Federal.
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Impacto do leilão de gás de cozinha no mercado
O certame que selou o destino de Schlosser na companhia aconteceu no último dia 31 de março. Na ocasião, o combustível foi comercializado para distribuidoras por valores que chegaram a dobrar o referencial da própria estatal. O episódio gerou uma reação imediata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que classificou a operação como uma afronta às orientações da empresa e do governo para a manutenção da estabilidade dos preços dos derivados de petróleo.
Segundo declarações do presidente, o leilão teria ocorrido de forma contrária à vontade da direção da Petrobras. A repercussão negativa também mobilizou órgãos reguladores. No mesmo período das críticas presidenciais, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) iniciou fiscalizações em refinarias para investigar possíveis irregularidades ou práticas de preços abusivos durante a venda do GLP.
Mudanças na estrutura da diretoria executiva
Com a vacância no cargo, a Petrobras anunciou que Angélica Laureano, que anteriormente ocupava a diretoria de Transição Energética e Sustentabilidade, assume o comando da área de Logística, Comercialização e Mercados. Enquanto isso, as funções de Laureano serão acumuladas temporariamente por William França, diretor de Processos Industriais e Produtos.
Claudio Schlosser, que é engenheiro químico e advogado de carreira na Petrobras desde 1987, ocupava o posto desde março de 2023. Sua gestão na área de vendas era considerada estratégica, pois essa diretoria possui a atribuição de definir precificações e parcerias comerciais da petroleira sob a gestão de Magda Chambriard.
Cenário econômico e novas medidas governamentais
A crise interna na estatal coincide com um período de volatilidade internacional. A escalada nos preços do petróleo, impulsionada por conflitos no Irã e gargalos na cadeia produtiva global, pressionou o valor dos derivados. O gás de cozinha, essencial tanto para o consumo doméstico quanto para o setor industrial, tornou-se o centro de um debate sobre segurança energética e controle inflacionário.
Para mitigar esses impactos, o governo anunciou um pacote de medidas que inclui a desoneração de impostos e a concessão de subsídios para o diesel e o GLP. A troca de comando na diretoria de logística é vista como um movimento de alinhamento da Petrobras com essa nova política de contenção de preços ao consumidor final.
Reestruturação do Conselho de Administração
Além das trocas na diretoria, a Petrobras confirmou Marcelo Weick Pogliese como o novo presidente do Conselho de Administração até a próxima assembleia geral. Pogliese assume o lugar de Bruno Moretti, que deixou o cargo para atuar no Ministério do Planejamento e Orçamento.
O governo, na qualidade de acionista controlador, já indicou Guilherme Santos Mello para assumir o posto de forma definitiva. Mello é o atual secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e possui vasta trajetória acadêmica em economia política e desenvolvimento econômico. Sua indicação passará agora pelos trâmites de análise de integridade e requisitos de gestão antes de ser oficializada pelo colegiado.
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