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Lula pode virar eleição no segundo turno? Veja o que dizem especialistas

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Diferença de apenas 2,2 milhões de votos para Flávio Bolsonaro mantém disputa aberta, mas avanço da direita e comportamento do eleitorado representam desafios para o presidente.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá de superar um desafio inédito para conquistar a reeleição em 2026. Após terminar o primeiro turno atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL), o petista busca uma virada na votação decisiva, marcada para 25 de outubro. Desde a retomada das eleições presidenciais diretas, em 1989, nenhum candidato que terminou a primeira etapa na segunda colocação conseguiu reverter o resultado no segundo turno.

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Apesar do histórico desfavorável, a diferença entre os dois candidatos é a menor já registrada em um primeiro turno presidencial no período. Lula encerrou a votação com aproximadamente 2,2 milhões de votos a menos que Flávio Bolsonaro, uma distância de 1,9 ponto percentual.

Em análise publicada pela Deutsche Welle (DW), cientistas políticos avaliam que a pequena diferença mantém aberta a possibilidade de uma virada. Entretanto, o fortalecimento da direita nas eleições legislativas, a elevada abstenção e o comportamento dos eleitores de candidatos derrotados representam obstáculos à recuperação do presidente.

Diferença histórica mantém possibilidade de virada

Embora a liderança de Flávio Bolsonaro represente um obstáculo para Lula, o resultado do primeiro turno apresenta uma situação diferente das eleições presidenciais anteriores.

Em entrevista à DW, o cientista político Leonardo Martins Barbosa, pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), destacou que a vantagem do primeiro colocado nunca havia sido tão pequena desde a redemocratização.

O cientista político Creomar de Souza, professor da Fundação Dom Cabral, também ouvido pela publicação, considera a recuperação de Lula improvável, mas não impossível.

Um dos principais desafios é o intervalo relativamente curto entre as duas votações. Nesse período, o presidente precisa ampliar sua presença em segmentos nos quais teve desempenho inferior ao esperado e convencer eleitores que optaram por outros candidatos.

O fato de ocupar a Presidência também pode influenciar a disputa, segundo Barbosa. O pesquisador lembrou à DW que, em 2022, Jair Bolsonaro conseguiu diminuir a distância para Lula durante o segundo turno, embora tenha terminado derrotado.

Por outro lado, a cientista política Luciana Fernandes Veiga, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) e da Fundação Getulio Vargas (FGV), afirmou à DW que a pequena diferença numérica não é suficiente para caracterizar uma situação favorável ao petista.

Abstenção de 33,4 milhões pode influenciar resultado

Outro fator observado pelos especialistas é o número de eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno.

Ao todo, 33,4 milhões de brasileiros deixaram de votar, o equivalente a 21,08% do eleitorado apto. O índice representa a maior abstenção em uma eleição presidencial brasileira nos últimos 28 anos.

Esse contingente representa uma parcela expressiva do eleitorado que poderá ser disputada pelas campanhas. No entanto, não há garantia de que esses votos beneficiem preferencialmente um dos candidatos.

Na avaliação apresentada à DW, Creomar de Souza considera que a elevada abstenção oferece espaço para a ampliação da votação de Lula, mas também pode representar uma oportunidade de crescimento para Flávio Bolsonaro.

Luciana Veiga, por sua vez, avalia que a mobilização desses eleitores não será simples. Segundo a pesquisadora, parte da ausência nas urnas está relacionada a fatores recorrentes, que dificilmente serão modificados apenas pela campanha eleitoral.

O histórico recente reforça essa interpretação. Em 2022, a abstenção passou de 20,95% no primeiro turno para 20,59% no segundo, uma redução relativamente pequena.

Assim, a capacidade de conquistar eleitores que já participaram da primeira votação também será determinante para o resultado.

Apoios políticos podem favorecer Flávio Bolsonaro

A transferência de votos dos candidatos eliminados representa outro elemento importante na disputa presidencial.

Ronaldo Caiado (PSD), que recebeu 2,18% dos votos, e Romeu Zema (Novo), com 0,27%, declararam apoio a Flávio Bolsonaro.

Já Augusto Cury (Avante), que conquistou 2,89%, e Renan Santos (Missão), com 2,24%, anunciaram que não apoiarão nenhum dos dois finalistas.

Embora essas declarações possam influenciar o comportamento eleitoral, o apoio de uma liderança política não significa a transferência automática dos votos recebidos no primeiro turno.

Na análise publicada pela DW, Creomar de Souza considera que a neutralidade de Cury e Santos pode ser explorada politicamente por Lula, ao demonstrar que nem todas as candidaturas identificadas com a direita decidiram apoiar Flávio.

Luciana Veiga apresenta outra interpretação. Para a cientista política, parte dos eleitores desses candidatos poderá migrar para Flávio Bolsonaro por afinidade ideológica, mesmo sem uma orientação formal de voto.

A definição desse eleitorado poderá ter peso significativo em uma eleição marcada por uma diferença inicial inferior a dois pontos percentuais.

Crescimento do bolsonarismo amplia desafio de Lula

Além dos números da disputa presidencial, o resultado das eleições para o Congresso Nacional também é considerado relevante pelos analistas.

O Partido Liberal conquistou 121 cadeiras na Câmara dos Deputados, ampliando sua força política para a próxima legislatura.

Em declaração à DW, Luciana Veiga ressaltou que esse desempenho demonstra que o resultado do primeiro turno não pode ser interpretado apenas pela diferença de 2,2 milhões de votos entre os presidenciáveis.

O avanço de candidaturas alinhadas à direita indica um ambiente político que pode beneficiar Flávio Bolsonaro na etapa decisiva da eleição.

Leonardo Martins Barbosa também chamou atenção para a votação do senador, que superou as expectativas e conseguiu terminar a primeira fase à frente do presidente em exercício.

Na avaliação apresentada pelo pesquisador à publicação alemã, o desempenho de Flávio reflete a capacidade de mobilização do bolsonarismo, que permanece como uma das principais forças políticas do país.

O que Lula precisa para vencer no segundo turno?

Para conquistar a reeleição, Lula terá de combinar diferentes estratégias. Entre elas estão a mobilização de eleitores ausentes, a conquista de votos de candidatos derrotados e a recuperação do apoio em segmentos nos quais Flávio Bolsonaro apresentou melhor desempenho.

O presidente também precisará evitar que a vantagem inicial do adversário seja ampliada por uma migração expressiva de votos de eleitores identificados com a direita.

Flávio, por sua vez, buscará preservar a liderança conquistada no primeiro turno e ampliar sua base de apoio com o respaldo de lideranças políticas que ficaram fora da disputa.

O cenário reúne dois elementos aparentemente contraditórios: a menor diferença já registrada entre os finalistas no primeiro turno e um histórico eleitoral em que o candidato que começou na liderança sempre terminou vencedor.

A possibilidade de virada, portanto, existe, mas não pode ser traduzida em uma probabilidade concreta apenas com os resultados do primeiro turno. O comportamento dos eleitores nas próximas semanas e as pesquisas de intenção de voto serão fundamentais para indicar se Lula terá condições de reverter a vantagem de Flávio Bolsonaro.

Com informações da Deutsche Welle (DW).

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