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Lula no SBT: quebra de sigilo, emendas e segurança pública são destaques

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Presidente defendeu mudanças na maioridade penal, a criação do Ministério da Segurança Pública e a gratuidade do transporte público aos fins de semana; também desafiou Flávio Bolsonaro a autorizar a quebra de sigilos bancário e telefônico

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abordou propostas para a economia, segurança pública, Judiciário e transporte coletivo durante sabatina no SBT Brasil, realizada na segunda-feira (19), a seis dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25). Na entrevista, Lula também comentou o resultado do primeiro turno, defendeu medidas econômicas recentes e voltou a desafiar o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu adversário na disputa pela reeleição, a autorizar a quebra dos sigilos bancário e telefônico dos dois candidatos e de seus familiares.

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A sabatina foi conduzida pelas jornalistas Basília Rodrigues, Marina Demori e Simone Queiroz, com retransmissão pelo SBT News. A emissora também convidou Flávio Bolsonaro para uma entrevista na quarta-feira (21), mas, até o momento mencionado no texto original, o candidato ainda não havia confirmado presença.

Lula comenta resultado do primeiro turno e estratégia eleitoral

Durante a entrevista, Lula reconheceu que esperava vencer a eleição no primeiro turno, mas negou ter subestimado a força eleitoral de Flávio Bolsonaro ou da direita brasileira. Segundo o presidente, os resultados de seu governo alimentavam a expectativa de um desempenho mais favorável na votação de 4 de outubro.

O petista afirmou que a mobilização popular ganhou força depois do primeiro turno e relacionou o engajamento dos eleitores à defesa da continuidade do processo democrático.

“O povo está assumindo a responsabilidade da campanha, sobretudo porque o povo quer garantir a continuidade do processo democrático”, declarou.

Lula comparou a situação à eleição de 2002, quando disputou o segundo turno contra José Serra. Na ocasião, segundo relatou, ficou frustrado por não ter conseguido a vitória na primeira etapa e precisou incentivar integrantes de sua campanha.

Desta vez, afirmou estar mais tranquilo, embora tenha reconhecido perdas de votos em estados nos quais esperava resultados melhores.

O presidente disse que pretende recuperar apoio no Sul, ampliar a mobilização de governadores do Nordeste, vencer em Minas Gerais e reduzir a vantagem de Flávio Bolsonaro em São Paulo.

“Nós podemos ganhar as eleições em Minas Gerais, nós podemos diminuir a diferença aqui em São Paulo e, se isso acontecer, nós ganhamos a eleição”, afirmou.

Lula nega caráter eleitoral de medidas econômicas

O presidente rejeitou as acusações de que medidas econômicas anunciadas ou aprovadas nas semanas próximas à eleição teriam sido adotadas com objetivos eleitorais.

Entre as iniciativas questionadas estavam o reajuste do Bolsa Família, o perdão de dívidas de microempreendedores individuais (MEIs) e a proposta de gratuidade no transporte público aos fins de semana.

Sobre o Bolsa Família, Lula afirmou que a equipe econômica identificou espaço fiscal para compensar a inflação acumulada. Segundo ele, os adicionais pagos às famílias com crianças haviam levado o governo a adiar a correção do benefício.

“Eu fiquei muito nervoso, porque reposição de inflação é obrigação em qualquer lugar do mundo”, declarou.

Em relação ao Desenrola MEI, o presidente disse que o governo identificou quase R$ 15 bilhões em dívidas consideradas irrecuperáveis e decidiu conceder perdão a aproximadamente 4 milhões de microempreendedores. Ele também mencionou a aprovação do aumento do limite de faturamento da categoria.

“Eu não vou deixar de dar um benefício que eu posso dar, porque tem eleição”, afirmou.

Lula acrescentou que os projetos já estavam em tramitação no Congresso Nacional e que havia solicitado a votação antes do primeiro turno. Para o presidente, a aprovação das medidas não foi consequência direta do resultado eleitoral.

“Veja: independente do resultado eleitoral, o benefício vai continuar para o povo brasileiro”, disse.

Dívida pública e críticas ao sistema financeiro

Questionado sobre o crescimento da dívida pública e o risco de uma crise fiscal em 2027, Lula afirmou que as políticas econômicas anunciadas pelo governo estão dentro das possibilidades orçamentárias.

O presidente citou a previsão de superávit primário de 0,1% e comparou o indicador ao déficit de 2,8% que, segundo ele, encontrou ao assumir a Presidência.

Para defender sua condução das contas públicas, também mencionou os resultados de seus dois primeiros mandatos, entre 2003 e 2010, período em que, segundo afirmou, o país registrou superávits primários em todos os anos.

“Eu não preciso aprender responsabilidade com a Faria Lima. Responsabilidade eu tenho, porque eu sei, como pai de família, como trabalhador de fábrica que recebe salário, que a gente não pode gastar o que a gente não tem”, declarou.

Lula também criticou a autonomia do Banco Central e defendeu maior participação do governo nas discussões sobre política monetária.

“Quem discute? Quem discute? O sistema financeiro. É isso, que faz pressão todo santo dia, pressão todo santo dia”, afirmou.

O presidente acusou o setor financeiro de concentrar as cobranças sobre os resultados fiscais sem dar a mesma atenção aos valores pagos pelo governo aos credores da dívida pública.

Fim da escala 6×1: presidente defende redução da jornada

Lula defendeu o fim da escala de trabalho 6×1 e rebateu críticas de que teria articulado a redução da jornada sem ouvir o setor produtivo.

Para sustentar sua posição, o presidente citou conquistas históricas dos trabalhadores, como a criação do salário mínimo, da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e do 13º salário.

“Toda vez que você teve uma conquista pro povo trabalhador, o mundo ia acabar”, declarou.

O petista também criticou a resistência que atribuiu a setores empresariais à ampliação dos direitos trabalhistas. Como exemplo, mencionou a posição que atribuiu à Federação das Indústrias de São Paulo durante a Constituinte de 1946, quando, segundo seu relato, empresários teriam argumentado que férias mais longas estimulariam o ócio e o consumo de álcool.

“Eles querem ter 10 dias pra ir pra Paris. E, no caso do povo pobre, eles acham que vai beber”, ironizou.

Transporte público gratuito pode usar recursos de emendas

A proposta de financiar a gratuidade do transporte público aos fins de semana com recursos de emendas parlamentares foi outro dos principais temas da sabatina.

Lula reconheceu que a iniciativa deverá enfrentar resistência no Congresso, mas disse acreditar que deputados e senadores aceitarão destinar parte dos recursos ao programa.

“Vai ser uma briguinha com o Congresso Nacional, mas isso é parte da democracia”, afirmou.

O presidente relacionou a proposta ao fim da escala 6×1, argumentando que os trabalhadores precisam ter condições financeiras para aproveitar os dias de descanso com atividades de lazer e convivência familiar.

“Não adianta você dar dois dias para descansar e não ter dinheiro para sequer ir visitar um parente”, declarou.

Segundo estimativa do deputado Jilmar Tatto (PT-SP), presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Tarifa Zero, a gratuidade custaria R$ 16 bilhões por ano. O valor corresponderia a aproximadamente 26% dos R$ 61 bilhões previstos para emendas parlamentares no Orçamento de 2026.

Maioridade penal aos 16 anos e saídas temporárias

Na área de segurança pública, Lula voltou a defender a redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos. Como argumento, mencionou que adolescentes dessa idade já podem exercer responsabilidades políticas, como o direito ao voto.

O presidente afirmou que essa posição não foi adotada em razão do resultado do primeiro turno e disse considerar legítimo mudar de opinião quando houver convencimento sobre a necessidade de uma medida.

“Primeiro, eu acho que nós, seres humanos, temos que ter a capacidade de mudar de opinião quando nós estamos convencidos de que é importante”, declarou.

Sobre as saídas temporárias de presos, Lula defendeu a manutenção do benefício para condenados por crimes sem violência que apresentem bom comportamento. Segundo ele, o contato com familiares pode contribuir para a ressocialização.

“Você não pode, por causa de dois ou três, punir centenas ou milhares de pessoas. Nós acreditamos na possibilidade de recuperar”, afirmou.

O presidente ressaltou que presos condenados por crimes graves, como estupro e violência contra a mulher, não devem receber autorização para deixar as unidades prisionais. Também defendeu que as decisões sejam tomadas individualmente pelas autoridades responsáveis, com base no histórico e no comportamento de cada condenado.

PEC da Segurança prevê integração das polícias

Lula defendeu a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública para ampliar a participação da União no combate à criminalidade e melhorar a integração entre as forças policiais federais, estaduais e municipais.

Segundo o presidente, a divisão de responsabilidades estabelecida pela Constituição de 1988 dificulta a coordenação entre as instituições.

“Porque você tem polícia que não se conecta, que não conversa”, afirmou.

O petista confirmou que pretende criar o Ministério da Segurança Pública após a aprovação da PEC, independentemente do resultado do segundo turno.

“Qualquer que seja o resultado das eleições, aprovada a PEC, eu vou criar o ministério”, garantiu.

Lula explicou que desistiu de criar a pasta no início do mandato depois de ser alertado sobre a necessidade de definir previamente suas atribuições. Questionado sobre quem poderia assumir o ministério, não apresentou nomes.

O presidente também anunciou a intenção de dobrar os efetivos da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF), com o objetivo de ampliar o patrulhamento das fronteiras.

Ele rejeitou a possibilidade de utilizar as Forças Armadas como principal responsável por essa atividade, defendendo que os militares se concentrem na defesa nacional.

“Quem tem que cuidar é uma polícia especializada”, argumentou.

Outra medida mencionada foi a transformação de 138 presídios estaduais em unidades de segurança máxima. A proposta, segundo Lula, busca impedir que lideranças do Comando Vermelho e do Primeiro Comando da Capital (PCC) continuem comandando atividades criminosas de dentro das penitenciárias.

O presidente afirmou que a iniciativa exigirá recursos adicionais e que a equipe econômica já havia sido informada sobre a necessidade de financiamento.

Reforma do Judiciário e mandatos para ministros do STF

Lula também voltou a defender uma reforma do Judiciário para discutir mudanças nos critérios de escolha dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Entre as possibilidades citadas estão a criação de mandatos para os integrantes da Corte e a ampliação da participação da sociedade no processo de indicação.

“Eu acho que, para ser ministro da Suprema Corte, a gente vai ter que discutir outro critério para escolher, não pode ser só o presidente da República, eu quero ver se a sociedade participa disso, eu quero que tenha mandato”, declarou.

Questionado sobre a indicação de Jorge Messias, advogado-geral da União, ao STF, Lula negou que tenha sofrido desgaste político diante da resistência ao nome.

“Quem teve desgaste foi quem não aprovou, não fui eu”, respondeu.

O presidente defendeu a qualificação jurídica de Messias, mas evitou confirmar se insistirá na indicação. Segundo ele, a decisão será tomada depois das eleições.

Lula afirmou ainda que pretende considerar a competência profissional e o conhecimento jurídico nas futuras escolhas para a Suprema Corte. Também disse ter orgulho dos ministros indicados durante seus mandatos anteriores e negou ter solicitado contrapartidas em troca das nomeações.

“Nunca pedi um favor ao ministro da Suprema Corte. Nunca pedi e não vou pedir”, afirmou.

Lula desafia Flávio Bolsonaro a autorizar quebra de sigilo

No encerramento dos principais temas políticos, Lula voltou a desafiar Flávio Bolsonaro a autorizar a quebra dos sigilos bancário e telefônico dos dois candidatos e de seus familiares. A proposta havia sido apresentada pelo presidente durante o debate da Band, no domingo (18).

Lula defendeu que as informações sejam submetidas às autoridades judiciais para apurar acusações de corrupção feitas durante a campanha.

“Estou cansado de falar em corrupção, de falar em corrupção e [ao] terminar as eleições, nada é apurado”, declarou.

O presidente afirmou que ele e seus familiares estavam preparando procurações para entregar ao STF e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), autorizando o acesso às informações.

“Eu quero que você faça o mesmo, da sua família, você e seus irmãos, e vamos entregar. Vamos deixar investigar para saber aonde é que está a corrupção nesse país”, cobrou.

Lula também acusou Flávio Bolsonaro de ter mentido 43 vezes sobre sua relação com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e mencionou encontros entre o senador e o banqueiro.

Durante o debate da Band, Flávio afirmou não ter nada a esconder, mas não confirmou se aceitaria a abertura dos sigilos nos termos propostos pelo presidente.

A sabatina no SBT ocorreu em um momento decisivo da campanha presidencial, com os dois candidatos mobilizando eleitores para o segundo turno de domingo (25). As entrevistas e os debates da última semana concentram a apresentação de propostas e as críticas entre os adversários antes da votação.

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