A semana começou com forte turbulência nos mercados financeiros globais após a intensificação das hostilidades no Oriente Médio. O preço do petróleo registrou uma alta expressiva nesta segunda-feira, dia 2 de março, impulsionado por ataques realizados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que geraram uma resposta imediata de Teerã. O Brent, principal referência internacional, chegou a subir quase 14% nas primeiras horas de negociação, refletindo o temor de uma interrupção prolongada no fornecimento de energia.
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A escalada bélica atingiu diretamente pontos estratégicos para a logística energética global. O Estreito de Ormuz, por onde circula aproximadamente 20% do volume mundial de óleo cru, enfrenta uma paralisia parcial na navegação. Por volta das 10h18 (horário de Brasília), o barril do Brent operava com alta de 8,30%, cotado a US$ 78,92, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) avançava 7,74%, negociado a US$ 72,19.
Impactos imediatos na produção de energia e logística
A instabilidade geográfica forçou diversos países e empresas a suspenderem suas atividades por segurança. De acordo com informações da Reuters, a QatarEnergy interrompeu a produção de gás natural liquefeito (GNL) após ataques de drones iranianos em suas instalações. Simultaneamente, a Arábia Saudita optou pelo fechamento preventivo da refinaria de Ras Tanura, unidade com capacidade para processar 550 mil barris diários.
No Curdistão iraquiano, petroleiras como DNO e Gulf Keystone Petroleum paralisaram operações, afetando um fluxo de exportação que chegava a 200 mil barris por dia através da Turquia. Em Israel, o governo ordenou que a Chevron suspendesse as atividades no campo de Leviatã, peça fundamental para o abastecimento regional e exportações para o Egito. No Irã, explosões na ilha de Kharg, que concentra 90% das exportações do país, aumentam o receio sobre a oferta do terceiro maior produtor da Opep.
Crise energética eleva custos e pressiona inflação na Europa
O mercado europeu de gás natural também sofreu reflexos severos. O contrato TTF, referência no continente, disparou mais de 41%, atingindo 45,3 euros por megawatt-hora. Analistas apontam que a manutenção desse cenário de guerra pode levar o preço do petróleo a ultrapassar a barreira dos US$ 100 por barril, patamar não visto desde o início do conflito na Ucrânia.
As bolsas de valores ao redor do mundo operam em território negativo, com destaque para as quedas em Paris, Frankfurt e Madri, que superaram os 2%. O setor de aviação e turismo lidera as perdas, uma vez que o encarecimento dos combustíveis impacta diretamente as margens de lucro das companhias aéreas. Por outro lado, empresas de energia figuram como as raras exceções de valorização em meio ao caos financeiro.
Busca por ativos de segurança e reações da Opep+
Diante da incerteza, investidores migraram para ativos de proteção. O ouro registrou alta de 2%, consolidando sua posição como reserva de valor em tempos de crise geopolítica. O dólar também apresentou valorização frente a outras moedas. Como medida de contenção, a Arábia Saudita e a Rússia, liderando a Opep+, anunciaram um aumento na produção de 206 mil barris por dia a partir de abril, tentando equilibrar a oferta global e mitigar a volatilidade excessiva nos preços.
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