O Governo Federal anunciou nesta quarta-feira (1º/4), em Brasília, um novo aporte de R$ 350 milhões provenientes do Fundo Amazônia para impulsionar a sociobioeconomia e a inovação na Amazônia Legal. O investimento faz parte do lançamento do Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio), que busca integrar financiamento sustentável e conservação ambiental. Gerido pelo BNDES e coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o recurso deve beneficiar diretamente mais de 5 mil famílias e cerca de 60 cooperativas regionais.
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A iniciativa foca na inclusão produtiva e no fortalecimento científico. Ao todo, 60 Instituições Científicas e Tecnológicas (ICTs) participarão dos projetos, sendo que mais de metade dessas entidades está sediada na própria região amazônica. Segundo a ministra Marina Silva, o objetivo é transformar o uso sustentável dos recursos naturais em um pilar de prosperidade para a população local, consolidando a bioeconomia como estratégia central de desenvolvimento no Brasil.
Fortalecimento de cooperativas e cadeias produtivas
Dentro do pacote de investimentos, o projeto Coopera+ Amazônia receberá R$ 107,2 milhões. Essa frente conta com a parceria do Sebrae e o apoio de diversos ministérios e da Embrapa. O foco principal é estruturar 50 cooperativas de agricultura familiar em cinco estados, abrangendo cadeias de alto valor biológico como o açaí, o cupuaçu, a castanha-da-amazônia e o babaçu.
Os recursos serão aplicados na modernização da produção. Cerca de R$ 62 milhões estão reservados para a compra de máquinas e equipamentos, visando melhorar o processamento e a armazenagem dos produtos. A meta é atingir um impacto significativo no setor, alcançando mais de 20% das cooperativas que possuem a Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP) ativa na região. Além do maquinário, as comunidades receberão assistência técnica e capacitação gerencial para facilitar o acesso a novos mercados consumidores.
Ciência e tecnologia no Fundo Amazônia
O programa Desafios da Amazônia é outro destaque do anúncio, com a destinação de R$ 181,3 milhões. Executada pela Fundação Arthur Bernardes (Funarbe) em parceria com o Confap, a iniciativa promove a integração entre o conhecimento científico acadêmico e os saberes tradicionais das comunidades locais. Esse modelo de desenvolvimento busca criar soluções tecnológicas que mantenham a floresta em pé enquanto geram renda.
O investimento apoiará projetos de pesquisa e inovação que envolvam arranjos colaborativos. A expectativa é que entre 10 e 15 cadeias da sociobioeconomia sejam impulsionadas, fortalecendo também as Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (FAPs). No Acre, um projeto específico de R$ 69 milhões focará na recuperação de áreas degradadas por meio de sistemas agroextrativistas, beneficiando 2.500 famílias ligadas à rede Cooperacre com foco em polpa de frutas e café.
Resultados e expansão do mecanismo financeiro
Considerado o maior instrumento de REDD+ (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal) do mundo, o mecanismo financeiro atingiu em 2025 o seu maior volume anual de aprovações. Entre 2023 e 2025, foram contratados R$ 4 bilhões em 50 projetos diferentes, o que representa mais da metade de todo o volume operado desde a sua criação em 2008.
Além do fomento produtivo, o fundo mantém sua atuação em frentes estruturantes, como a fiscalização ambiental e o combate a crimes ambientais. Recentemente, as ações de prevenção a incêndios florestais foram expandidas para os biomas do Cerrado e Pantanal. Com o novo plano de bioeconomia, o governo espera que esses investimentos consolidem o Brasil como líder global em economia regenerativa, unindo a preservação do bioma ao crescimento econômico das populações amazônidas.
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