Quatro meses após o falecimento da criança em Manaus, a ausência do exame de necropsia impede o avanço do inquérito policial e gera angústia aos pais.
A busca por respostas sobre a morte de Benício Xavier Freitas, ocorrida em 23 de novembro de 2025, enfrenta um obstáculo crítico: a demora na emissão do laudo pericial. Joyce e Bruno, pais do menino, vieram a público cobrar agilidade do Instituto Médico Legal (IML) de Manaus. Segundo a família, a ausência do documento, que ainda não foi concluído após quatro meses do episódio, é o principal fator que impede o avanço das investigações sobre a morte de Benício.
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O caso ganhou repercussão diante das circunstâncias do óbito, registrado após a criança receber doses de adrenalina por via intravenosa no Hospital Santa Júlia. Para os familiares, a espera pelo resultado da necropsia não apenas prolonga o sofrimento do luto, mas estabelece uma paralisia processual que compromete a busca pela verdade dos fatos.
O impacto do atraso no inquérito policial
A peça técnica do IML é considerada o pilar central para o esclarecimento das causas da morte. Sem o laudo oficial, o inquérito conduzido pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) sofre atrasos consecutivos. Recentemente, a instituição solicitou um prazo adicional de 45 dias para dar continuidade à apuração, uma vez que etapas fundamentais dependem da análise pericial.
Essa estagnação reflete em toda a cadeia jurídica. O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), os advogados de defesa e a assistência de acusação aguardam o documento para definir os próximos passos. Além disso, a solicitação de eventuais perícias complementares fica condicionada ao que for atestado no relatório final da necropsia, criando um ciclo de espera que preocupa a família Xavier Freitas.
Suspeitas de irregularidades e manipulação de provas
Além da morosidade estatal, Joyce e Bruno demonstram inquietação com o desenrolar do processo administrativo e hospitalar. A família cita a existência de pontos nebulosos que precisam de investigação rigorosa, como a possível manipulação de provas e questionamentos sobre a integridade de vídeos apresentados durante as etapas iniciais do caso.
Outro ponto de atenção mencionado pelos pais envolve o sistema Tasy EMR, software de gestão hospitalar utilizado para a prescrição de medicamentos na unidade de saúde. Há discussões técnicas sobre como os registros foram inseridos e processados no sistema no dia do ocorrido. Para a família, essas variáveis, somadas à falta do laudo, criam um cenário de incertezas que prejudica o direito à ampla defesa e a transparência das informações.
Combate à desinformação no caso Benício
Nas últimas semanas, a circulação de informações não confirmadas e boatos em redes sociais tem sido um desafio adicional para os pais de Benício. Joyce e Bruno ressaltam que esse cenário de desinformação atrapalha o trabalho das autoridades e gera uma narrativa distorcida que não contribui para a justiça.
Em meio à dor da perda, o casal reforça que o objetivo é garantir que todos os procedimentos médicos e administrativos realizados no Hospital Santa Júlia sejam devidamente auditados. “Precisamos de clareza e rapidez”, afirmam, reiterando que a justiça pelo filho depende, primeiramente, da eficiência dos órgãos de perícia do estado. O caso segue sob acompanhamento da sociedade manauara, que aguarda um desfecho para um dos episódios mais sensíveis da saúde suplementar local no último ano.
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