Ataques com drones Shahed se intensificam após bombardeios dos EUA e atingem bases militares, infraestrutura energética e áreas urbanas
Após ataques aéreos iniciados pelos Estados Unidos contra o Irã no fim de fevereiro, o conflito no Oriente Médio ganhou uma nova dimensão com o uso massivo de drones de baixo custo. Em poucos dias, milhares desses equipamentos foram lançados pelo Irã contra diferentes alvos na região, em uma estratégia que especialistas apontam como tentativa de sobrecarregar sistemas de defesa e ampliar a pressão sobre aliados de Washington.
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O então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a declarar que os ataques americanos teriam como objetivo “aniquilar completamente” a indústria de mísseis iraniana. No entanto, os drones fabricados pelo país não foram mencionados na declaração e passaram a desempenhar papel central nos confrontos.
Mais de 2 mil drones lançados em poucos dias
Cerca de seis dias após o início da ofensiva americana, o Irã lançou mais de 2.000 drones de baixo custo contra diversos alvos no Oriente Médio. O objetivo seria saturar as defesas aéreas e gerar instabilidade em países aliados dos Estados Unidos.
Os equipamentos, conhecidos como drones “kamikaze”, pertencem à família Shahed e carregam explosivos que detonam no momento do impacto. Um dos ataques mais letais registrados até agora ocorreu quando um drone atingiu uma base militar no Kuwait, resultando na morte de seis soldados americanos.
Grande parte das ofensivas teve como alvo países do Golfo Pérsico que abrigam forças militares ou equipamentos dos Estados Unidos. No entanto, os ataques também atingiram embaixadas, aeroportos comerciais, hotéis e infraestrutura energética.
Ataques atingem cidades e instalações estratégicas
Algumas ofensivas ocorreram em áreas urbanas densamente povoadas, aumentando o clima de tensão entre governos e populações da região.
Um vídeo verificado pela BBC mostra um drone iraniano descendo em alta velocidade antes de atingir uma instalação de radar no quartel-general da Quinta Frota da Marinha dos Estados Unidos, em Manama, capital do Bahrein. O impacto provocou destroços e o colapso da estrutura.
Outro registro divulgado nos Emirados Árabes Unidos mostra um drone se chocando contra um hotel localizado em Palm Jumeirah, arquipélago artificial em Dubai, gerando uma grande explosão que foi ouvida em diferentes pontos da cidade.
Infraestrutura de energia também foi afetada
Instalações energéticas estratégicas também foram alvo dos ataques. Na Arábia Saudita, a refinaria de Ras Tanura, considerada uma das maiores do mundo, precisou interromper a produção após um incêndio provocado por destroços de um drone interceptado.
Já no Catar, o maior terminal de exportação de gás natural liquefeito do planeta também foi temporariamente fechado depois de ser atingido por drones iranianos.
Drones Shahed combinam baixo custo e longo alcance
Apesar de seu design relativamente simples, os drones iranianos têm causado impactos significativos. O modelo de longo alcance Shahed-136, fabricado no Irã, possui custo estimado entre US$ 20 mil e US$ 50 mil (aproximadamente R$ 106 mil a R$ 266 mil).
Diferentemente de muitos drones comerciais, o equipamento não é controlado remotamente durante o voo. Antes do lançamento, ele é programado para seguir uma rota específica até o alvo utilizando navegação por satélite.
Com alcance máximo de cerca de 2.500 quilômetros, o drone poderia percorrer uma distância equivalente entre Teerã e Atenas. Embora não seja rápido como mísseis balísticos, seu formato estreito e o voo em baixa altitude dificultam a detecção por radares.
Tecnologia inspirou modelos em outros países
Os drones Shahed também passaram a ser utilizados em outros conflitos. A Rússia empregou o equipamento na guerra contra a Ucrânia para atingir cidades e instalações de energia.
Segundo o ex-fuzileiro naval e ex-oficial da CIA Mick Mulroy, os drones demonstraram ser altamente eficazes em diferentes cenários de combate, o que levou os próprios Estados Unidos a desenvolverem versões semelhantes.
Embora Washington não tenha divulgado números de produção, aliados dos EUA já relatam grandes volumes de drones lançados pelo Irã.
Interceptar drones pode custar muito mais caro
Autoridades dos Emirados Árabes Unidos afirmam que mais de mil drones iranianos já foram disparados contra o país, sendo que ao menos 71 conseguiram ultrapassar os sistemas de defesa.
Os drones podem ser neutralizados por interferência de GPS, armas a laser ou mísseis interceptadores. No entanto, muitos são abatidos por caças ou sistemas antiaéreos, o que gera custos elevados.
Durante um ataque iraniano contra Israel em 2024, o Reino Unido teria utilizado caças da RAF para derrubar drones com mísseis que custam cerca de £ 200 mil cada — aproximadamente R$ 1,4 milhão.
Estratégia pode buscar desgaste psicológico e militar
De acordo com Nicholas Carl, especialista em Irã do centro de pesquisa American Enterprise Institute, forçar os adversários a gastar seus estoques de interceptores faz parte da estratégia iraniana.
Segundo ele, o governo iraniano também busca causar pressão psicológica e aumentar o clima de insegurança entre aliados dos Estados Unidos, com o objetivo de pressionar Washington por um acordo de cessar-fogo.
Ainda não se sabe por quanto tempo o Irã conseguirá manter o ritmo de ataques. Estimativas indicam que o país teria produzido dezenas de milhares de drones antes do início do conflito, mas o tamanho atual desse estoque permanece incerto.
Imagens divulgadas pela agência de notícias Fars News Agency, ligada à Guarda Revolucionária do Irã, mostram fileiras de drones em um bunker subterrâneo, embora não haja confirmação sobre a data da gravação.
Número de ataques já começa a diminuir
Nos últimos dias, autoridades militares indicaram uma redução significativa na intensidade das ofensivas.
O almirante Cooper afirmou que o número de drones lançados pelo Irã caiu cerca de 83% desde o início dos combates, enquanto o uso de mísseis balísticos teria diminuído aproximadamente 90%.
Especialistas avaliam que a continuidade da pressão militar exercida pelos Estados Unidos e por Israel pode dificultar a manutenção das operações iranianas nas próximas semanas.
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