Ação militar contra embarcação sancionada, ligada à “frota fantasma”, eleva tensões diplomáticas entre Washington e Moscou em meio a negociações sobre a Ucrânia.
As forças militares dos Estados Unidos interceptaram petroleiro de bandeira russa nesta quarta-feira (7), no Oceano Atlântico, após uma perseguição que durou quase três semanas. A embarcação, anteriormente nomeada Bella 1 e rebatizada como Marinera, foi alvo de uma operação do Comando Europeu dos EUA por violações de sanções americanas, após tentar escapar de um bloqueio destinado a navios sancionados na Venezuela. EUA interceptam petroleiro com bandeira russa.
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O navio havia sido sancionado por Washington em 2024, sob a acusação de contrabandear carga para uma empresa ligada ao grupo militante libanês Hezbollah, apoiado pelo Irã. Segundo autoridades americanas, a tripulação chegou a pintar uma bandeira russa no casco para tentar evitar a abordagem.
Caçada em alto mar e apoio britânico
A operação de captura ocorreu na zona marítima situada entre o Reino Unido, a Islândia e a Groenlândia. De acordo com o Ministério da Defesa britânico, as Forças Armadas do Reino Unido forneceram apoio operacional pré-planejado aos recursos militares americanos, atendendo a um pedido de assistência de Washington.
A perseguição teve início no mês passado, quando a Guarda Costeira dos EUA tentou abordar o navio no Caribe, onde se acreditava que ele carregaria petróleo na Venezuela. Sem conseguir atracar, a embarcação mudou repentinamente de curso, fugindo para o Atlântico Norte. Dados marítimos indicam que, durante a fuga, o navio foi registrado na Rússia sob o nome Marinera.
EUA interceptam petroleiro e Moscou reage
A reação da Rússia foi imediata. O Ministério dos Transportes russo classificou a apreensão como uma violação do direito marítimo, alegando que o contato com a embarcação foi perdido em águas internacionais, além das fronteiras de qualquer Estado. Segundo a pasta, o navio havia recebido autorização temporária para navegar sob bandeira russa em 24 de dezembro.
Relatos do jornal The Wall Street Journal e da emissora CBS News apontam que Moscou chegou a enviar um submarino e outras embarcações militares na tentativa de escoltar o petroleiro e impedir sua captura, embora sem sucesso. Especialistas indicam que a Rússia tem permitido o registro de navios sem inspeções rigorosas como estratégia para movimentar sua economia através do transporte de petróleo ilícito.
“Frota fantasma” e contexto geopolítico
Além do incidente no Atlântico, a Casa Branca confirmou a apreensão de um segundo navio, o petroleiro Sophia, no Mar do Caribe. A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, afirmou que ambas as embarcações integram uma “frota fantasma” utilizada para transportar petróleo da Rússia, Irã e Venezuela, desafiando as sanções ocidentais.
O episódio ocorre em um momento delicado, dias após a captura do líder venezuelano Nicolás Maduro e enquanto Washington e Moscou negociam uma solução para a guerra na Ucrânia. A interceptação ameaça complicar as tratativas de paz, uma vez que a Rússia ainda não aceitou a proposta encaminhada pelos EUA e pela Ucrânia.
Paralelamente às ações militares, o presidente Donald Trump revelou um plano econômico para refinar e vender até 50 milhões de barris de petróleo que estavam retidos na Venezuela devido ao bloqueio, sinalizando uma nova fase na política energética e externa americana para a região.
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