O cenário financeiro no Brasil apresentou novos desafios no encerramento do primeiro trimestre de 2026. Segundo dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o endividamento das famílias alcançou o patamar histórico de 80,4% em março. O índice representa uma alta em relação aos 80,2% registrados em fevereiro e supera significativamente os 77,1% observados no mesmo período do ano anterior.
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Este movimento de alta é impulsionado, em grande parte, pelas famílias de maior poder aquisitivo. Enquanto as faixas de renda mais baixa mostraram estabilidade ou leve recuo, o grupo que recebe acima de dez salários mínimos viu o nível de compromissos financeiros subir de 69,3% para 69,9%. Especialistas da CNC apontam que o custo elevado do crédito e a demora na transmissão dos cortes da taxa Selic para as pontas do consumo final sustentam esse comportamento.
Fatores que impulsionam o endividamento no mercado nacional
A conjuntura econômica atual combina juros básicos ainda restritivos com pressões inflacionárias vindas do setor logístico. O relatório da entidade destaca que o aumento nos preços dos combustíveis, especialmente do diesel, gera uma incerteza que se reflete em toda a cadeia de mercadorias. Com o frete mais caro, o poder de compra é reduzido, o que acaba forçando muitas famílias a recorrerem ao crédito para custear despesas consideradas básicas.
O presidente do Sistema CNC Sesc Senac, José Roberto Tadros, reforça que a taxa Selic elevada permanece como um obstáculo tanto para o setor produtivo quanto para as famílias. Embora o Banco Central tenha iniciado um ciclo de redução gradual dos juros, o alívio no bolso do consumidor não é imediato. Existe um hiato temporal de alguns meses até que a queda na taxa básica resulte em juros menores no cartão de crédito, no cheque especial ou nos empréstimos pessoais.
Perfil das dívidas e comportamento da inadimplência
A pesquisa abrange diversas modalidades de crédito, incluindo as contas a vencer no cartão de crédito, carnês de lojas, crédito consignado, prestações de veículos e financiamentos imobiliários. Apesar do crescimento no número de pessoas com dívidas, houve uma sutil melhora na percepção de gravidade dessas pendências. A parcela de brasileiros que se declaram muito endividados recuou de 16,1% para 16,0%.
Paralelamente, a fatia da renda mensal comprometida com o pagamento de parcelas teve uma oscilação positiva, caindo de 29,7% para 29,6%. No que diz respeito à inadimplência, o índice de famílias com contas em atraso permaneceu estável em 29,6% na passagem mensal. Um dado encorajador é a queda na proporção de famílias que admitem não ter condições de quitar suas dívidas atrasadas, passando de 12,6% para 12,3% em março.
Diferenças entre faixas de renda e expectativas futuras
O comportamento financeiro divergiu conforme a capacidade financeira dos lares. No grupo com renda de até três salários mínimos, a inadimplência caiu de 38,9% para 38,2%, sinalizando um esforço de regularização. Já nas classes intermediárias, entre cinco e dez salários mínimos, houve elevação tanto no endividamento quanto no atraso de pagamentos.
Para os próximos meses, o economista chefe da CNC, Fabio Bentes, alerta para a necessidade de monitorar as expectativas de inflação. Caso os preços continuem pressionados, o orçamento das famílias de menor renda poderá sofrer um impacto desproporcional, dificultando a manutenção dos índices de inadimplência sob controle. O mercado aguarda que a queda mais acentuada dos juros bancários possa, enfim, reverter a tendência de alta no endividamento geral da população.
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