Agência Nacional de Vigilância Sanitária monitora notificações de eventos adversos graves e reforça a importância do acompanhamento médico no uso de fármacos como Ozempic e Mounjaro.
As canetas emagrecedoras e os medicamentos voltados ao tratamento da obesidade e diabetes entraram no radar de investigação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) após o registro de seis mortes suspeitas por pancreatite no Brasil. Segundo dados do órgão regulador, entre janeiro de 2020 e dezembro de 2025, houve um salto significativo nas notificações de inflamações no pâncreas associadas a essa classe de fármacos, conhecidos como agonistas do receptor de GLP-1.
📲Quer receber notícias direto no celular? Entre no nosso grupo no WhatsApp.
A série histórica revela uma evolução preocupante nos registros. Em 2020, apenas uma notificação foi realizada; em 2025, o número saltou para 45, representando um aumento de mais de 60% em relação ao ano anterior. Ao todo, a agência contabiliza 225 casos suspeitos de pancreatite ligados a esses medicamentos, que incluem nomes comerciais populares como Ozempic, Wegovy, Saxenda e Mounjaro.
O risco de pancreatite e o uso de canetas emagrecedoras
Especialistas explicam que a pancreatite aguda — uma inflamação súbita do pâncreas — já é um efeito adverso conhecido e devidamente descrito nas bulas desses medicamentos. No entanto, a Anvisa ressalta que as notificações atuais são tratadas como “suspeitas”, pois ainda carecem de uma análise técnica profunda para confirmar o nexo causal direto entre o fármaco e o óbito ou a doença.
Um dos fatores que complica a investigação é a prevalência de comorbidades nos pacientes que utilizam esses tratamentos. Pessoas com obesidade e diabetes já possuem um risco basal mais elevado de desenvolver problemas pancreáticos. Além disso, a agência alerta para o perigo das versões falsificadas, irregulares ou manipuladas, que circulam fora do mercado farmacêutico oficial e podem conter dosagens perigosas ou substâncias não testadas.
Orientações e segurança no tratamento
Apesar dos dados, a classe médica e as fabricantes, como a Novo Nordisk e a Eli Lilly, reforçam que os medicamentos são seguros e eficazes quando utilizados sob rigorosa prescrição e acompanhamento. A recomendação fundamental é que o paciente esteja ciente dos sinais de alerta, como dor abdominal intensa que irradia para as costas, náuseas e vômitos.
A orientação da Anvisa é clara: pacientes com histórico de pancreatite de repetição devem evitar o uso dessas substâncias. Diante de qualquer sintoma suspeito, a interrupção do tratamento deve ser imediata e um médico deve ser consultado. A vigilância sobre as canetas emagrecedoras segue ativa para garantir que os benefícios terapêuticos superem os riscos aos usuários brasileiros.
Leia mais:
Anvisa determina apreensão de lotes ilegais de Mounjaro e Opdivo
Suspensão do Mounjaro faz pacientes perderem benefícios à saúde
Anvisa alerta para riscos graves de canetas emagrecedoras manipuladas
Siga nosso perfil no Instagram, Tiktok e curta nossa página no Facebook

