Governo israelense ratificou o plano nesta quinta-feira (9), dando início ao prazo de 24 horas para a implementação do cessar-fogo; Hamas já havia declarado o fim da guerra e se compromete a devolver 48 reféns em troca de quase 2 mil prisioneiros palestinos.
O governo de Israel ratificou nesta quinta-feira (9) um acordo de cessar-fogo com o Hamas, que prevê a libertação de todos os reféns ainda mantidos em Gaza e a interrupção das hostilidades. A aprovação, que ocorreu após a análise pelo Conselho de Segurança do país, marca o início da contagem de 24 horas para a implementação do cessar-fogo na Faixa de Gaza. O Hamas já havia assinado o plano e declarado um cessar-fogo permanente mais cedo.
O cerne do acordo se concentra na questão dos reféns e na troca de prisioneiros. O grupo terrorista terá um prazo de 72 horas para libertar os 48 reféns que Israel estima ainda estarem sob seu poder após o ataque terrorista de 2023. As vítimas restantes já haviam sido liberadas em acordos anteriores ou por operações militares israelenses. Em troca, a expectativa é que Israel liberte quase 2 mil prisioneiros palestinos, incluindo indivíduos condenados à prisão perpétua.
A proposta de paz foi apresentada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no final de setembro, e teve a mediação de países-chave como Egito, Catar e Turquia.
O Ponto Mais Sensível: Reféns e Prisioneiros
Dos 48 reféns que o Hamas ainda detém, Israel estima que apenas 20 estejam vivos. A imprensa americana noticiou que o grupo terrorista solicitou tempo adicional para realizar buscas e localizar os corpos das vítimas que morreram, alegando não saber o paradeiro de todos eles.
Para auxiliar neste desafio, a Turquia anunciou a criação de uma força-tarefa com autoridades estrangeiras para ajudar o Hamas a encontrar os corpos desaparecidos em diferentes localidades da Faixa de Gaza. Atualmente, o número oficial de corpos desaparecidos não foi divulgado, mas a imprensa israelense aponta para cerca de seis ou sete. Sabe-se que 28 dos 48 reféns em cativeiro teriam morrido.
Fim dos Bombardeios e Recuo das Forças de Defesa de Israel
O plano de paz estabelece o fim dos bombardeios em Gaza e o recuo das Forças de Defesa de Israel (FDI) para linhas acordadas com o Hamas, sinalizando que tropas ainda permanecerão no território palestino.
A GloboNews apurou, junto às FDI, que Israel concordou em diminuir a área de ocupação em Gaza de 75% para 57% em uma fase inicial. Embora o plano da Casa Branca já previsse uma retirada gradual das tropas, o chefe do Estado-Maior de Israel instruiu as forças a se prepararem para todos os cenários e para a operação de retorno dos reféns.
O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Sa’ar, afirmou ao canal Fox News que o país não pretende prosseguir com a guerra após a assinatura do acordo. Do lado palestino, Khalil Al-Hayy, negociador-chefe do Hamas, declarou o fim da guerra, citando garantias de um cessar-fogo permanente recebidas dos Estados Unidos e de mediadores árabes.
Polarização no Governo de Israel e Próximos Passos
A ratificação do acordo não foi unânime no governo israelense. Dois representantes da extrema-direita que integram a coalizão de Benjamin Netanyahu votaram contra a aprovação: Itamar Ben-Gvir, ministro da Segurança Nacional, e Bezalel Smotrich, ministro das Finanças. Ao final da reunião, Ben-Gvir foi categórico, afirmando que ele e seu partido derrubariam o governo caso o Hamas não fosse desmantelado.
A votação interna do acordo por Israel foi um procedimento formal, similar ao que ocorreu em outros dois acordos de cessar-fogo firmados em novembro de 2023 e janeiro de 2025.
Apesar do anúncio, detalhes importantes do tratado ainda precisam ser esclarecidos. Não foi divulgado se a totalidade do plano apresentado pela Casa Branca foi aceita sem modificações por ambas as partes. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que este é apenas a “primeira fase” e os “primeiros passos” para a paz, sugerindo que há pontos a serem debatidos.
Entre os pontos pendentes, destacam-se a transição de governo na Faixa de Gaza e a questão da entrega de armas pelo Hamas. O acordo deve ser formalmente assinado às 6h desta quinta-feira, pelo horário de Brasília, segundo a AFP. O presidente Trump, por sua vez, deve visitar Israel nos próximos dias para discursar no Parlamento do país, considerando também uma visita à Faixa de Gaza.
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