Presidente americano cumpre ameaças e impõe sanções econômicas severas que afetam diretamente parceiros comerciais de Teerã, incluindo o Brasil e membros do Brics.
O cenário econômico e geopolítico global amanheceu sob nova tensão nesta segunda-feira, 12 de janeiro. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou oficialmente que qualquer nação que mantiver relações comerciais com o Irã enfrentará uma tarifa de Trump de 25% sobre todas as transações realizadas com os EUA. A medida, classificada como definitiva e conclusiva pelo líder norte-americano, visa asfixiar economicamente o regime islâmico em resposta à violenta repressão contra protestos populares naquele país.
📲Quer receber notícias direto no celular? Entre no nosso grupo no WhatsApp.
A decisão foi comunicada diretamente pelo presidente em sua rede social e tem efeito imediato. A ordem executiva coloca em xeque as balanças comerciais de diversas nações que mantêm fluxo de mercadorias com Teerã. Segundo Trump, a medida é uma resposta necessária às violações de direitos humanos e à instabilidade promovida pela República Islâmica. A tarifa de Trump surge em um momento delicado, onde a diplomacia internacional tenta evitar uma escalada militar ainda maior no Oriente Médio.
Impactos no Brasil e no agronegócio
A nova tarifa de Trump acende um alerta vermelho para a economia brasileira. De acordo com o banco de dados econômico Trading Economics, o Brasil figura entre os parceiros relevantes do Irã, principalmente no setor de commodities. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio apontam que a corrente de comércio entre Brasil e Irã alcançou a marca de 3 bilhões de dólares em 2025.
O saldo é extremamente positivo para o lado brasileiro, com um superávit de 2,8 bilhões de dólares, impulsionado majoritariamente pela venda de produtos agropecuários. Milho, soja, carne bovina e aves constituem a base dessas exportações. Além disso, o Brasil possui interesse estratégico na importação de fertilizantes iranianos, insumos essenciais para a cadeia produtiva nacional. Com a nova imposição de Washington, o agronegócio brasileiro poderá enfrentar barreiras tarifárias ao exportar para os Estados Unidos caso mantenha os negócios com Teerã, criando um dilema diplomático e comercial para Brasília.
O fator Brics e a reação da China
A medida americana atinge em cheio o bloco do Brics. Desde 2024, o Irã integra o grupo de articulação política e econômica, que foi fundado por Brasil, China, Rússia, Índia e África do Sul, e recentemente expandido para incluir nações como Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita. A tarifa de Trump é vista por analistas como um desafio direto à autonomia econômica do bloco.
A China, um dos principais parceiros comerciais do Irã ao lado da Turquia e do Iraque, reagiu prontamente. Pequim declarou oposição a quaisquer sanções unilaterais e afirmou que tomará as medidas necessárias para proteger seus interesses legítimos e sua soberania jurisdicional. Enquanto isso, governos de outros países potencialmente afetados aguardam a publicação da ordem oficial da Casa Branca para avaliar a extensão técnica das sanções.
Crise humanitária e instabilidade do regime
A justificativa central para a imposição da tarifa de Trump reside na situação interna do Irã. O país enfrenta o que especialistas consideram o maior desafio à sua estabilidade desde a Revolução Islâmica de 1979. Protestos massivos, desencadeados inicialmente por queixas econômicas, evoluíram para um movimento direto contra o aiatolá Ali Khamenei e a estrutura da República Islâmica.
A repressão tem sido severa. A ONG Iran Human Rights (IHR), sediada na Noruega, confirmou 648 mortes durante as manifestações, incluindo nove menores de idade. No entanto, a organização alerta que, devido ao bloqueio da internet imposto pelo governo, o número real pode ultrapassar 6 mil mortos, com mais de 10 mil pessoas detidas.
O cenário de guerra também paira sobre a região. O Irã travou um conflito de 12 dias com Israel no ano passado e teve instalações nucleares bombardeadas pelas Forças Armadas americanas em junho. Apesar da retórica agressiva e de a Casa Branca afirmar que ataques aéreos são uma opção, canais diplomáticos permanecem abertos. Abbas Araghchi, chanceler iraniano, teria contatado enviados de Trump na tentativa de reduzir as tensões, afirmando que o país não busca a guerra, mas está preparado para ela.
O fim de uma era no Irã?
A comunidade internacional observa com atenção os desdobramentos. O chanceler federal alemão, Friedrich Merz, foi enfático ao comentar a situação durante uma visita à Índia nesta terça-feira. Para o líder alemão, a necessidade de usar violência extrema para se manter no poder indica o fim da linha para o governo dos aiatolás. Merz declarou acreditar que o mundo está testemunhando os últimos dias e semanas do atual regime iraniano, sinalizando que a pressão externa somada à revolta interna pode levar a uma mudança histórica no país.
Leia mais:
Escalada de violência em protestos no Irã deixa mais de 500 mortos e gera alerta global
Irã intensifica repressão com corte de internet e cancelamento de voos após protestos deixarem dezenas de mortos
EUA lançam ofensiva em larga escala contra o Estado Islâmico na Síria
Siga nosso perfil no Instagram, Tiktok e curta nossa página no Facebook

