A Polícia Federal deflagrou a Operação Yacumama na última quinta-feira, 12 de fevereiro, desferindo um golpe significativo na infraestrutura logística da mineração clandestina no Amazonas. A ação integrada ocorreu nas águas do Rio Negro, nas proximidades do município de Iranduba, região metropolitana de Manaus. Durante a ofensiva, os agentes conseguiram localizar e apreender cinco embarcações que eram fundamentais para a continuidade da extração ilícita de minérios na região amazônica.
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A operação é fruto de um esforço conjunto entre diversas forças de segurança e órgãos de fiscalização. Além da Polícia Federal, participaram ativamente das diligências o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a Delegacia Fluvial da Polícia Civil do Amazonas (DEFLU/PC-AM) e o Batalhão de Policiamento Ambiental da Polícia Militar (BPAmb/PMAM). Essa união de esforços demonstra a prioridade das autoridades em asfixiar o suporte financeiro e material de atividades criminosas que degradam o bioma.
Logística do crime e estaleiro clandestino
Um dos pontos mais relevantes da Operação Yacumama foi a descoberta de um centro de manutenção para as atividades ilícitas. Entre o material apreendido, os agentes encontraram um empurrador e uma draga que estava em pleno funcionamento, operando a extração de ouro no leito do rio no momento da abordagem. Entretanto, a surpresa maior foi a localização de outras quatro embarcações escondidas em um estaleiro clandestino.
Neste local isolado, as dragas passavam por processos de reforma e manutenção pesada. Segundo os investigadores da Polícia Federal, o objetivo dos criminosos era preparar esse maquinário para a retomada imediata das atividades de garimpo assim que a fiscalização na área diminuísse. A desarticulação deste estaleiro impede que novos equipamentos voltem a operar no Rio Negro em curto prazo, quebrando o ciclo de regeneração da frota do garimpo.
Impactos ambientais e crime contra a União
A prática do garimpo ilegal no Amazonas vai além do prejuízo econômico, configurando-se como uma grave ameaça à saúde pública e à biodiversidade. O uso indiscriminado de mercúrio e a movimentação de sedimentos nos rios provocam danos ambientais severos, contaminando a água que abastece as comunidades locais e afetando diretamente a fauna aquática. Juridicamente, a extração sem autorização configura crime de usurpação de bens da União, uma vez que as riquezas do subsolo pertencem ao Estado brasileiro.
As investigações prosseguem para identificar os proprietários das embarcações e os financiadores por trás da infraestrutura encontrada em Iranduba. Com a apreensão definitiva das máquinas, as autoridades esperam reduzir a pressão sobre o ecossistema local. A vigilância nos arredores de Manaus deve ser intensificada nas próximas semanas para evitar que novos pontos de extração sejam instalados após a dispersão dos grupos criminosos pela ação policial.
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