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Avanço de facções criminosas cria minicracolândias e eleva violência na Amazônia

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O crime organizado tem transformado radicalmente a realidade social no Norte do país, consolidando novas e perigosas dinâmicas de consumo. De acordo com a 4ª edição do relatório Cartografias da Violência na Amazônia, divulgado recentemente durante a COP-30 em Belém, a expansão de grupos como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) resultou na proliferação de minicracolândias em municípios estratégicos da tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia. O fenômeno é acompanhado pela disseminação do óxi, uma substância derivada da cocaína com efeitos ainda mais devastadores que o crack.

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O impacto do óxi e das minicracolândias nas comunidades tradicionais

O estudo, realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) em parceria com os institutos Mãe Crioula e Clima e Sociedade, destaca que a região do Alto Solimões é uma das mais afetadas. Cidades como Tabatinga e Benjamin Constant enfrentam o surgimento de espaços de uso contínuo de entorpecentes, que agora atingem populações indígenas em áreas periurbanas.

David Marques, gerente de projetos do FBSP, ressalta que essa configuração é um desdobramento direto da intensificação do narcotráfico no varejo local. Diferente de décadas anteriores, onde o foco das facções era majoritariamente o atacado internacional, o controle dos mercados municipais tornou-se uma prioridade econômica, gerando um ciclo de dependência química e insegurança em comunidades que antes lidavam primordialmente com o uso abusivo de álcool.

A ascensão do Comando Vermelho e a logística do crime

Atualmente, 17 organizações criminosas operam na Amazônia Legal, sendo que o Comando Vermelho detém o controle de mais de 25% das cidades da região. A localização é considerada estratégica para o tráfico internacional devido à facilidade de importação de cocaína e skunk dos países vizinhos. No entanto, o subproduto dessa logística, o óxi, tornou-se o principal vetor de desestruturação familiar.

Produzido com restos da preparação da cocaína misturados a substâncias químicas como cal, querosene e solventes, o óxi possui baixo custo e altíssima toxicidade. Autoridades locais relatam que o uso dessa droga é o motor de uma “criminalidade de baixa intensidade, mas de alta frequência”, caracterizada por furtos e pequenos roubos praticados por dependentes para sustentar o vício.

Vulnerabilidade entre jovens e mulheres indígenas

Um dos pontos mais alarmantes do relatório refere-se ao recrutamento de jovens indígenas, com idades entre 12 e 16 anos, para o microtráfico. Nas aldeias de Umariaçu e Belém do Solimões, lideranças Ticuna expressam urgência diante da intrusão de drogas e álcool. As Terras Indígenas acabam sendo utilizadas como corredores logísticos e pontos de armazenamento, expondo as comunidades a ameaças de morte e invasões.

A violência de gênero também apresenta índices críticos. Em 2024, a taxa de assassinatos de mulheres na Amazônia Legal foi 21,8% superior à média nacional. O estudo associa esse aumento diretamente à presença do tráfico, que altera a dinâmica comunitária e eleva os casos de violência doméstica vinculados ao consumo de entorpecentes nas cenas de uso aberto.

O cenário descrito pelo Cartografias da Violência reforça a necessidade de políticas públicas que integrem segurança pública e assistência social, focando na proteção das fronteiras e na preservação da integridade das populações tradicionais da floresta.

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