A capital amazonense enfrenta temperaturas elevadas enquanto o avanço do El Niño intensifica alertas sobre o clima.
Os 36,1 graus centígrados registrados na última segunda-feira, o dia mais quente de 2026 até agora, deixaram a cidade a apenas 3,1 graus do recorde histórico de calor. A marca máxima absoluta, de 39,2 graus, foi registrada em 2 de outubro de 2023, sendo a temperatura mais alta observada em Manaus em mais de 30 anos, conforme dados do Instituto Nacional de Meteorologia.
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Para enfrentar o cenário e as projeções meteorológicas para os próximos meses, o Governo do Amazonas decretou em julho, de forma preventiva, o Estado de Emergência Climática e Ambiental em todo o território estadual. A medida visa preparar o estado para os impactos do El Niño que devem perdurar até o primeiro semestre de 2027.
A intensidade do fenômeno El Niño
Cientistas projetam que este El Niño pode se tornar um dos mais intensos das últimas décadas. O último relatório do Centro de Previsões Climáticas, órgão da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, aponta que existe 81 por cento de probabilidade de ocorrência de um fenômeno muito forte entre outubro e dezembro deste ano.
O evento de 2026 é classificado como um dos mais importantes do registro histórico mantido desde a década de 1950, levando especialistas a chamá-lo de Super El Niño. Este episódio está configurado para se tornar um dos mais fortes já observados no planeta, com reflexos diretos na agricultura, na geração de eletricidade e na estrutura econômica global.
O papel humano nas mudanças climáticas
O físico Paulo Artaxo, professor titular da Universidade de São Paulo e membro da Academia Brasileira de Ciências, explica que a aceleração de eventos extremos resulta da sobreposição da atividade humana aos ciclos naturais. Segundo o especialista, a queima contínua de combustíveis fósseis e o desmatamento elevaram drasticamente a concentração de gases de efeito estufa, o que retém calor e desequilibra o clima.
Artaxo ressalta que o El Niño sob um cenário de aquecimento global desorganiza o ciclo de chuvas e as médias térmicas. Como consequência, a produção agrícola sofre quedas de produtividade, reservatórios hidrelétricos enfrentam oscilações críticas e as cidades lidam com ondas de calor intensas. Por estar em uma região tropical, o Brasil é um dos países mais vulneráveis às mudanças climáticas, sendo a descarbonização da economia uma necessidade urgente de adaptação.
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