O Partido Social Democrático (PSD) vai encolher 64% no Senado após as eleições de outubro, segundo levantamento do Estadão. O partido, que hoje tem 14 cadeiras, cairia para apenas 5. É a maior queda entre os partidos centristas. Mas não é só o PSD que desaparece do mapa. O conjunto dos partidos de centro (MDB, PP, Republicanos, União Brasil, PSD, Podemos e PSDB) passaria de 48 para 38 ou 39 senadores. Dez cadeiras perdidas.
Enquanto o centro encolhe, os polos crescem. O PL saltaria de 15 para 21 senadores — aumento de 40%. O PT ganharia duas vagas, chegando a 12. PSOL e Rede também elegeriam representantes. A esquerda, que hoje ocupa 18 assentos, teria cerca de 20.
O que explica essa reconfiguração? Os eleitores estão se afastando de candidatos que representam posições de meio-termo. A política brasileira não fica apenas polarizada nas ruas ou na Câmara. Fica no Senado, a Casa historicamente menos dada a conflitos.
As consequências práticas são imediatas. Maioria no Senado exige 41 votos dos 81 totais. O PL, mesmo com 21, não consegue sozinho. Impeachment de ministro do STF — uma bandeira do bolsonarismo — precisa de 54 votos, ou seja, dois terços da Casa. Nenhum grupo chega perto disso sem montar coalizão complexa.
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Aqui está o ponto crítico. O centro funcionava, historicamente, como negociador. MDB, PSDB, PSD e União Brasil conseguiam fazer pontes entre forças opostas. Não era altruísmo. Era interesse próprio: para crescer, esses partidos precisavam estar em ambos os lados. Agora, com representação tão reduzida, perdem a capacidade de barganha e o incentivo para mediar conflitos.
Valdemar Costa Neto, presidente do PL, tem dito que quer terminar as eleições com 28 senadores. É cifra que depende de negociações e cenários ainda abertos. Mesmo que alcançada, não representa maioria, mas representaria força suficiente para bloquear agendas e exigir concessões. O PT teria posição semelhante, embora mais frágil.
O resultado é um Senado sem intermediários. Quem quer influência vai precisar escolher lado. A velha prática de circular entre os campos, de negociar em câmaras escuras, de construir coalizões baseadas em troca de favores sem envolvimento direto com as bases, perde espaço. Surge, em seu lugar, um Congresso mais polarizado onde governabilidade depende de confronto direto entre blocos.
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