Os presidenciáveis Lula e Flávio Bolsonaro entregaram programas que divergem no tamanho do Estado, no papel do mercado e na política externa, e convergem numa omissão, a de não dizer quanto custa cada promessa. O relatório do JOTA PRO, divulgado nesta semana, que comparou os dois textos registra que nenhum dos candidatos consolida custo, fonte de financiamento ou meta anual, da saúde à infraestrutura, da inteligência artificial à defesa.
Flávio Bolsonaro fixa crescimento de 4% ao ano na próxima década, sem abrir a trajetória nem decompor as fontes. Lula mantém o arcabouço fiscal e promete resultado pelo crescimento, sem detalhar as novas medidas de contenção. Nenhum dos dois estabelece meta de resultado primário ou de dívida para o período de 2027 a 2030, justamente o intervalo que pretendem governar.
O silêncio numérico opera como estratégia já que numa campanha que será disputada no terreno da responsabilidade fiscal e do custo de vida, deixar a conta em aberto preserva margem de manobra e protege os dois da aritmética que a oposição vai cobrar.
📲Quer receber notícias direto no celular? Entre no nosso grupo no WhatsApp.
O Norte nos dois programas
Na comparação do estudo entre os programas de Lula e Flávio Bolsonaro, a região norte aparece menos como projeto próprio de desenvolvimento e mais como território onde se cruzam a segurança de fronteira, a corrida por minerais críticos e a agenda climática.
Lula combina reforma agrária, demarcação indígena e titulação quilombola. Flávio propõe regularização fundiária, direito de propriedade e autonomia produtiva a indígenas e quilombolas, condicionada a regras ambientais e compensações. No desmatamento, a diferença é de método e de prazo. Lula promete desmatamento líquido zero em 2030, conta que admite compensar corte legal por regeneração. Flávio mira o desmatamento ilegal zero em 2029, meta mais estreita e mais próxima. Nas fronteiras os dois militarizam a Amazônia, Flávio com um Sistema Nacional de Fronteira e tropa de elite, Lula com reequipamento das Forças e inteligência de Estado de caráter civil.
A promessa de terras raras e verticalização mineral, presente nos dois textos, ainda não vem acompanhada de projeto por estado, o que deixa o Norte como reserva estratégica sem endereço definido.
Leia mais:
Candidatos sem legitimidade fazem campanha em campos hostis
Candidatos à presidência ignoram crise climática
Fachin desarma o inquérito de Moraes a três semanas das eleições
Siga nosso perfil no Instagram, Tiktok e curta nossa página no Facebook


