Estrutura temporária será utilizada como alternativa logística durante a estiagem e busca garantir o fluxo de cargas e insumos destinados à Zona Franca de Manaus
O Grupo Chibatão iniciou nesta quinta-feira (17) o deslocamento de um píer flutuante provisório rumo ao município de Itacoatiara (AM). A mobilização ocorre após a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) autorizar, em caráter especial e emergencial, a transferência e utilização da estrutura pelo período de 180 dias. A medida, formalizada pelo Acórdão nº 559/2026 no Diário Oficial da União, integra o plano preventivo para amenizar os impactos da estiagem de 2026 sobre o abastecimento da região e a produção da Zona Franca de Manaus (ZFM).
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Com a autorização, o grupo confirmou o deslocamento do cais flutuante para o município, onde a estrutura deverá integrar a estratégia preventiva para manter a movimentação de mercadorias e insumos destinados ao Polo Industrial de Manaus (PIM) e ao abastecimento do Amazonas.
Píer flutuante é deslocado diante do avanço da estiagem no Amazonas
A transferência ocorre em meio ao monitoramento das condições de navegabilidade dos rios amazonenses. Informações acompanhadas por entidades como Manaus Pilots e Proa Manaus apontam redução média de aproximadamente 32 centímetros por dia nos níveis dos rios.
Entre os pontos considerados estratégicos estão o Tabocal e a Enseada Madeira, trechos que apresentam características hidrográficas e restrições de calado que podem exigir mudanças rápidas na operação logística à medida que a vazante se intensifica.
A preocupação do setor é evitar a formação de gargalos no transporte de matérias-primas, mercadorias e outros insumos necessários ao funcionamento da indústria instalada na Zona Franca de Manaus.
Estiagem pode se intensificar a partir do fim de setembro
Em entrevista concedida à PIM Amazônia em agosto, o Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre (Labclim), centro de monitoramento climático e hidrológico da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), havia alertado que a estiagem de 2026 poderia atingir seu período de maior intensidade a partir do fim de setembro, com possíveis efeitos até abril de 2027.
Segundo informações divulgadas pela PIM Amazônia, o cenário também é influenciado pelo El Niño, fenômeno relacionado ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico. A publicação citada apontou aumento de 1,8°C na temperatura média do Amazonas.
A Marinha do Brasil também indicou a possibilidade de início das primeiras restrições à navegação durante setembro. Em entrevista à PIM Amazônia, o capitão dos portos da Amazônia Ocidental, André Lysâneas Carvalhaes, afirmou que a segunda quinzena do mês exigiria maior atenção do setor devido às limitações operacionais provocadas pela redução dos níveis dos rios.
O oficial destacou, no entanto, que ainda não seria possível afirmar que o Amazonas enfrentaria uma seca extrema, uma vez que o comportamento do sistema hídrico da região depende das condições de diferentes rios que integram a bacia amazônica.
Estrutura já foi utilizada durante a seca de 2024
O píer flutuante que será levado para Itacoatiara possui licenças e autorizações de órgãos como a Marinha do Brasil, Receita Federal, Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e Antaq.
A estrutura recebeu investimento de R$ 80 milhões e já foi utilizada como alternativa logística durante a severa estiagem registrada em 2024. Naquele período, o píer instalado em Itacoatiara recebeu 35 navios e movimentou quase 59 mil contêineres por meio de operações de transbordo e baldeação.
A estrutura permitiu a continuidade do transporte de matérias-primas consideradas essenciais para as fábricas do Polo Industrial de Manaus, além de contribuir para o abastecimento do Estado durante o período de restrições provocadas pela seca.
Grupo Chibatão afirma que medida antecipa desafios logísticos
Segundo Jhony Fidelis, a transferência busca antecipar possíveis dificuldades provocadas pela estiagem e utilizar uma estrutura que já está regularizada e preparada para operar.
“Estamos falando de uma estrutura que já está pronta, regularizada e preparada para cumprir seu papel. A conclusão das autorizações mostra que houve planejamento, responsabilidade e diálogo com os órgãos competentes. Na Amazônia, a logística precisa agir antes do problema, e é isso que o Grupo Chibatão vem fazendo”, afirmou.
Com a instalação do píer em Itacoatiara, a expectativa do setor produtivo é contar com uma alternativa operacional durante o período de seca, reduzindo os riscos de interrupção no transporte de cargas e insumos e contribuindo para a continuidade das atividades industriais e econômicas no Amazonas.
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