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O que os candidatos ao Governo do Amazonas propõem para enfrentar queimadas, seca e mudanças climáticas

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Documentos registrados no TSE mostram divergências entre metas numéricas de desmatamento, combate a queimadas, energia e bioeconomia

Em meio a episódios de estiagem severa, calor e fumaça no Amazonas, as propostas ambientais dos sete candidatos ao Governo do Estado nas eleições de 2026 trazem caminhos distintos para a gestão dos recursos naturais. Os planos de governo entregues ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam que, enquanto parte das candidaturas aposta em metas com prazos e índices percentuais estabelecidos, outros nomes concentram suas diretrizes na estruturação de órgãos fiscalizadores, resposta a desastres climáticos, transição energética e bioeconomia.

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A comparação detalhada das diretrizes demonstra que a crise climática é tratada sob diferentes perspectivas nos programas oficiais, variando entre compromissos quantitativos rígidos e reformulações administrativas no licenciamento e na infraestrutura.

Panorama das propostas ambientais e principais diferenças

A leitura cruzada dos planos eleitorais aponta que as candidaturas não convergem em um modelo único. Omar Aziz (PSD) e Isael Munduruku (Rede) destacam-se pelo detalhamento numérico e cronológico de suas metas. Já Roberto Cidade (União Brasil) e David Almeida (Avante) focam em programas amplos de adaptação a cheias e estiagens, instrumentos econômicos verdes e segurança hídrica.

Por outro lado, Maria do Carmo (PL) e Cabo Daciolo (Mobiliza) direcionam esforços para monitoramento com apoio tecnológico e fortalecimento de forças policiais e fiscalizatórias. Gilberto Vasconcelos (PSTU) relaciona a questão diretamente a uma transformação estrutural do modelo de desenvolvimento econômico.

Omar Aziz traz índices definidos para queimadas e matriz energética

O plano de Omar Aziz formaliza metas quantificadas para o setor. Entre as medidas centrais está a redução de 60% a 90% das queimadas até o ano de 2035. O candidato também prevê atualizar o Plano Estadual de Mudanças Climáticas, instrumento de 2007, incluindo inventário de emissões de poluentes e medidas de adaptação para períodos críticos de seca e cheia.

No campo da energia, o programa estabelece metas temporais claras: diminuir em 30% o consumo elétrico dos prédios públicos até 2030 e reduzir em 20% o uso de combustíveis fósseis para geração em comunidades isoladas no mesmo intervalo. As ações envolvem a implantação de um Fundo Estadual de Energia, a criação do Balanço Energético Estadual até 2027 e um Plano Estadual de Desenvolvimento Energético até 2028, além do uso de tecnologias como drones, sensoriamento remoto e inteligência artificial.

Roberto Cidade foca em eventos extremos e polos de bioeconomia

Roberto Cidade estrutura sua agenda ambiental em torno do Compromisso 41, que associa preservação florestal à proteção social e renda. A linha central é o Plano Permanente de Enfrentamento às Cheias e Estiagens, voltado à reestruturação da Defesa Civil, sistemas de alertas antecipados e logística para o interior.

O candidato prevê também polos regionais dedicados a cadeias produtivas da sociobiodiversidade, como açaí, castanha, óleos vegetais, cosméticos e fitoterápicos. O plano admite o aproveitamento de recursos minerais e energéticos, como gás natural, potássio em Autazes e terras raras em Apuí, desde que submetidos a licenciamento rigoroso. Diferente de outros projetos, o texto não fixa percentuais de redução de queimadas ou emissões.

David Almeida aposta em transição climática e inovação

A candidatura de David Almeida conta com o eixo “Meio Ambiente, Sustentabilidade e Transição Climática”. Suas diretrizes propõem a instituição do Plano Clima Amazonas e de um Plano Estadual de Adaptação às Mudanças Climáticas, priorizando segurança hídrica e alimentar.

O documento detalha o combate ao desmatamento com o suporte de inteligência artificial, regularização por meio do Zoneamento Econômico-Ecológico (ZEE) e apoio a órgãos municipais. No setor econômico, apoia mecanismos de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), créditos de carbono, REDD+ e o fortalecimento de biocombustíveis e energias limpas para substituir matrizes fósseis no interior, sem apresentar metas numéricas diretas.

Maria do Carmo prioriza modernização do licenciamento e satélites

Maria do Carmo direciona suas medidas para a desburocratização administrativa e o rigor no controle ambiental. A candidata propõe a modernização do licenciamento ambiental com definição de prazos e aplicação de matrizes de risco segundo o porte e o potencial poluidor de cada atividade.

Para combater ilícitos como o desmatamento clandestino e queimadas, o plano indica o emprego de satélites, drones e análise integrada de dados. O programa traz ações voltadas a saneamento básico, extinção de lixões e estímulo ao mercado de carbono, sem detalhar uma meta percentual central de redução de desmatamento ou um eixo de adaptação climática específico.

Em entrevista recente, a candidata afirmou que os períodos de seca e cheia, por serem recorrentes na região, não configurariam uma crise climática.

“Quando tem seca e cheia, a gente não está falando de crise climática. Eu digo que crise climática aqui no Amazonas seria tufões, furacões, cair nevasca, algo surreal”, afirmou.

A declaração coloca em discussão uma interpretação mais restrita do que seria uma crise climática. A recorrência histórica de secas e cheias no Amazonas é um fato conhecido, mas isso não elimina o debate sobre possíveis mudanças na intensidade, duração ou frequência desses eventos.

Isael Munduruku defende desmatamento zero e fundo de emergência

Isael Munduruku apresenta um programa fundamentado no desmatamento zero, estabelecendo uma trajetória com metas anuais e transparência pública dos dados por município. A proposta vincula o clima à saúde coletiva, com foco na criação de brigadas comunitárias permanentes e equipamentos regionais contra incêndios.

O programa sugere a criação de um Fundo Estadual de Emergência e Adaptação para enfrentar crises de seca, fumaça e cheias, além de salas de situação integradas entre órgãos de fiscalização como Sema e IPAAM com forças policiais. No segmento energético, prevê a solarização de escolas, postos de saúde e redes de água, acompanhada de incentivo a barcos elétricos e híbridos.

Gilberto Vasconcelos propõe mudanças no modelo econômico

O programa de Gilberto Vasconcelos parte do princípio de que a degradação ambiental decorre do atual modelo econômico. Entre as medidas centrais estão o bloqueio da expansão do agronegócio no sul do estado e o combate irrestrito ao garimpo ilegal.

O plano defende o fortalecimento e controle social do IPAAM, ampliação do suporte a Reservas Extrativistas (RESEX) e Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS), agroecologia e agricultura familiar. Na energia, propõe a eletrificação universal rural com fontes renováveis e a reestatização dos serviços de distribuição elétrica. Não constam metas com índices numéricos no texto.

Cabo Daciolo aposta em inteligência integrada e policiamento

Cabo Daciolo orienta a área ambiental por meio da fiscalização estratégica e da segurança territorial. A novidade estrutural é a criação do Centro de Inteligência Ambiental e Territorial (CIAT), unidade planejada para cruzar dados meteorológicos, registros de navegação, denúncias e imagens de satélite contra crimes ecológicos.

O plano busca reestruturar o Batalhão de Policiamento Ambiental para atuar contra pesca predatória, garimpo ilegal e focos deliberados de incêndio florestal. Na gestão de riscos climáticos, o programa “Amazonas Resiliente e Defesa Civil Presente” projeta rotas logísticas e planos de contingência para garantir suprimentos em eventos severos.

Os planos oficiais das eleições de 2026 permanecem disponíveis para consulta pública nas bases eletrônicas do Tribunal Superior Eleitoral e podem receber complementações ao longo do processo eleitoral.

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