Ação investiga suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado à máfia dos combustíveis e cumpre 32 mandados em seis estados e no Distrito Federal
Uma operação contra um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado à chamada máfia dos combustíveis cumpre, nesta quinta-feira (24), 32 mandados de busca e apreensão em 11 cidades de seis estados e no Distrito Federal. A Operação Crédito Oculto tem entre os alvos o sócio-proprietário do Banco Genial, Humberto Tupinambá, o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, e o Grupo Entre, relacionado a movimentações financeiras envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o filme Dark Horse.
A investigação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, em conjunto com a Receita Federal e outros órgãos estaduais. As ordens judiciais foram autorizadas pelo juiz Sandro Nogueira de Barros Leite, da 2ª Vara Criminal de Catanduva.
Ao todo, segundo as informações divulgadas sobre a operação, são 40 alvos, entre pessoas físicas e empresas. A ofensiva ocorre em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e no Distrito Federal.
Operação Crédito Oculto investiga lavagem de dinheiro
A apuração busca identificar estruturas financeiras que teriam sido utilizadas para ocultar patrimônio e dissimular a origem de recursos empregados na aquisição de uma distribuidora de combustíveis.
Segundo a Receita Federal, a operação é um desdobramento da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025. As investigações anteriores reuniram documentos, contratos, mensagens e outros elementos que levaram os investigadores a aprofundar a apuração sobre a estrutura financeira utilizada na negociação da distribuidora Terrana.
A investigação também apura possíveis conexões entre integrantes do esquema e organizações criminosas. Reportagens sobre a operação apontam suspeitas de vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC), mas essas conexões fazem parte das apurações e não representam, por si só, uma condenação dos investigados.
Banco Genial está entre os alvos
Entre os investigados está Humberto Arthur Tupinambá Neto, ligado ao Banco Genial. Seus irmãos, André e Bruno Tupinambá, também aparecem entre os alvos das buscas realizadas nesta quinta-feira.
De acordo com as investigações divulgadas, estruturas de fundos de investimento e operações de crédito teriam sido utilizadas para movimentar recursos relacionados à compra da Terrana. O Banco Genial aparece nas apurações relacionadas ao fundo Radford e a operações financeiras envolvendo empresas utilizadas na negociação da distribuidora.
Segundo informações obtidas durante a investigação, o fundo Radford chegou a ter cerca de R$ 169,7 milhões em cotas no período analisado. Os investigadores avaliam que determinadas operações financeiras poderiam ter contribuído para ocultar a origem dos recursos empregados na aquisição da distribuidora.
As suspeitas ainda são objeto de investigação e deverão ser esclarecidas no decorrer do processo.
Grupo Entre aparece em investigação sobre ‘Dark Horse’
Outro alvo da operação é o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, ligado à Entre Investimentos. Ele também é apontado como delator no caso envolvendo o Banco Master.
O Grupo Entre ganhou destaque nas investigações porque, segundo os dados reunidos pelas autoridades, a empresa foi utilizada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro em uma operação que envolveu o envio de US$ 12,33 milhões destinados ao financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A movimentação financeira relacionada ao longa-metragem aparece, portanto, entre os elementos que conectam a investigação atual a outras apurações envolvendo Vorcaro e o sistema financeiro.
Investigações começaram na Operação Carbono Oculto
A Operação Crédito Oculto é tratada como uma nova etapa das investigações iniciadas com a Operação Carbono Oculto, deflagrada em 28 de agosto de 2025.
Na primeira fase, foram apreendidos documentos, contratos, mensagens e áudios que, segundo os investigadores, ajudaram a revelar uma estrutura financeira criada para dificultar a identificação dos verdadeiros compradores da distribuidora de combustíveis Terrana.
A partir desse material, investigadores passaram a analisar com maior profundidade a participação de empresas, fundos de investimento e agentes do mercado financeiro nas operações.
A Receita Federal informou que a nova fase busca identificar novas conexões financeiras e aprofundar os indícios de ocultação patrimonial e dissimulação da origem dos recursos utilizados na aquisição da distribuidora.
Defesa dos investigados
As informações divulgadas nesta quinta-feira indicam que as autoridades ainda buscavam contato com os investigados e suas defesas. O UOL/Estadão informou que procurou os representantes dos alvos, mas não havia conseguido localizá-los até a publicação da reportagem.
As investigações continuam e os elementos apreendidos durante a Operação Crédito Oculto deverão ser analisados pelas autoridades para determinar eventual responsabilidade dos envolvidos.
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